África do Sul cancela expansão da energia nuclear e aposta agora nas renováveis

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O governo sul-africano decidiu cancelar os planos para adicionar 9.600 megawatts (MW) de energia nuclear até 2030, afirmando que pretende agora aumentar a capacidade de gás natural, energia eólica e outras fontes de energia, anunciou o ministro da Energia, Jeff Radebe.

 A África do Sul, a única potência de energia nuclear em África, conta com uma capacidade instalada de 1.860 MW, mas a intenção do governo do ANC (Congresso Nacional Africano) de aumentar durante o mandato do ex-presidente Jacob Zuma para seis vezes mais a capacidade de produção do país até 2030,

África do Sul aposta nas renováveis esbarrou contra os elevados custos orçamentais e alegada corrupção e mal-administração pública.

 Agora, disse Jeff Radebe, “não há planos para aumentar a energia nuclear até 2030”, na apresentação, na passada segunda-feira, do novo Plano de Recursos Integrados (IRP) do governo sul-africano.

 A nova estratégia, indicou o governo, “também mostra que a demanda de electricidade na rede tem vindo a diminuir”.

A empresa estatal russa Rosatom era tida como pioneira na construção da capacidade nuclear adicional da África do Sul.

 As várias reuniões entre Jacob Zuma e o presidente russo, Vladimir Putin, levaram à especulação de que a Rosatom teria garantido o acordo antes da abertura do concurso público. O governo sul-africano e a Rosatom negaram esta alegação.

 Após substituir Zuma no cargo em Fevereiro, por decisão imediata do partido no poder (ANC), o Presidente Cyril Ramaphosa remeteu a expansão do nuclear para segundo plano, afirmando que era “excessivamente dispendioso”.

 Em Julho, Ramaphosa disse que Putin abordou o assunto de um acordo nuclear num encontro em privado que os dois líderes realizaram à margem da cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Joanesburgo, e que lhe tinha dito que “Pretória não poderia assinar tal acordo por enquanto”.

 Todavia, na passada segunda-feira, Jaff Radebe delineou planos para a expansão energética recorrendo a outras fontes de energia.

 O ministro Radebe disse que o plano prevê uma capacidade adicional de 8.100 MW de energia eólica e 8.100 MW de gás, 5.670 MW de painéis fotovoltaicos, 2.500 MW de hidro e 1.000 MW de carvão até 2030.

 O governo decidiu dar um prazo de 60 dias para apreciação pública, antes da aprovação final pelo Executivo, afirmou o ministro.