ACP de Pretória voltou a festejar as “Fogaceiras” de tradição feirense

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ACP de Pretória voltou a festejar as “Fogaceiras” de tradição feirense

A tradicional festa das “Fogaceiras”, celebrada com grande relevo a 20 de Janeiro de cada ano em Santa Maria da Feira, data respeitada neste concelho como feriado municipal, e implantada na ACP de Pretória em 1986 pelo grupo de feirenses constituído por Eduardo Pinho, Joaquim Candal e Eduardo Reis, passando a partir daí a fazer parte do calendário anual de eventos da colectividade, voltou ali a ser festejada com relevo e dignidade no penúltimo domingo, dia 26 do mês transacto.

 A celebração abriu com um concorrido almoço de convívio tipo “self-service”, contando-se entre os presentes a conselheira de embaixada e gerente da secção consular, dra. Ana e Brito Maneira, o adido comercial dr. João Pedro Pereira, o conselheiro da comunidade, comendador Silvério Silva, e os presidentes de colectividades e instituições lusas desta cidade, Paula de Castro de “Os Lusíadas”, João Serradinho da Academia do Bacalhau, Lino Faria da Casa do Benfica, e Manuel Coelho do Sporting Clube de Pretória.

 As boas-vindas a quantos nessa tarde ali conviviam, com o seu reconhecimento a quem consigo colaborou na organização dos festejos, destacando aqui o empenho de Tony Oliveira, as senhoras que prepararam o salão para esta festa, Graciosa Ferreira, Arminda José, Carla Ferreira e Fátima Moutinho, assim como de Eduardo Oliveira e sua esposa Cindinha, casal que na tarde e noite anterior confeccionou todas as fogaças, a cooperação do grupo de “sponsors” na ajuda a este evento, além de Tony Oliveira, Mário Ferreira, Mário Jorge, Francisco Nunes, Luís Marques, Nelson Nunes, Dimitri Kourantas e Américo Pimentel, destacando por último a colaboração que o comendador SP Pereira, um sócio honorário desta casa, tem dado a esta festa das Fogaceiras, como este ano aconteceu, estiveram a cargo do presidente da assembleia-geral desta ACPP, Manuel José.

 Depois da actuação em variedades dos artistas da comunidade, Gin a Martins e Roberto Adão, os presentes assistiram ao desfile das fogaceiras, por crianças simbolizando as freguesias do concelho, conforme indicação na faixa ostentada em cada uma delas, mormente, Santa Maria da Feira, Arrifana, Paços de Brandão, Santa Maria de Lamas, Lourosa, Fiães, Souto, Rio Meão, Gião, Vale, Espargo, Mosteriró, Fornos, Guisande, Caldas de S. Jorge, S. João de Ver, Vila Maior, Sanfins, Romariz, Milheirós de Poiares, Mozelos, Travanca, Sanguedo, Nogueira da Regedora, Argoncilhe, Louredo, Lobão, Sampaio de Oleiros, Canedo, Escapães e Pigeiros, seguindo à frente do cortejo a miniatura do Castelo da Feira e a bandeira do padroeiro dos festejos, Mártir S. Sebastião.

 

* Comendador Mário Ferreira bateu recorde em leilão de Fogaças

 

 A figura principal no leilão das fogaças feito por Manuel José, rendido nas últimas por Tony Oliveira, a seguir as desfile, viria a ser o presidente da ACPP, comendador Mário Ferreira, ao adquirir por maior preço a de Sampaio de Oleiros, transportada por seu filho Raúl, por R50.000.00, além da de Sanguedo por R15.000.00, ficando-se nestas quantias por não haver quem em despique as levasse mais longe, já que estamos em crer virem a ser suas por qualquer preço, a quem em reconhecimento a esse seu grande contributo foi dedicada estrondo-sa salva de palmas pelos presentes no salão.

 Nunca que nos lembre nesta festa dedicada ao Mártir S. Sebastião, na ACP de Pretória, uma fogaça ter atingido esta importância, estando até aqui o recorde nas de Sanguedo, adquiridas no ano transacto pelo comendador SP Pereira por R20.000.00, que seu neto Brendon Pereira transportou no desfile, e em 2007 por Abílio Moutinho por R11.000.00, esta última transportada por sua filha Lizete Moutinho, jovem então res-ponsável pela comissão de festas desta ACPP.

 Este terá sido em festejos de “fogaceiras” o mais rentoso realizado até hoje na ACPP, pois só no leilão das “fogaças” das trinta e uma freguesias do concelho da Feira, a receita atingiu os cento e seis mil e oitocentos randes, onde as de maior valor foram a de Sampaio de Oleiros cinquenta mil, seguindo-se-lhe a de Sanguedo quinze mil, a de Santa Maria da Feira dez mil, a de Louredo quatro mil, a de Gião dois mil e quinhentos, as de Paços de Brandão e Mosteiró dois mil cada, variando a maioria das restantes entre os duzentos e os mil e quinhentos randes, que a juntar ao cobrado nas entradas para o al-moço, à venda de fogaças ao público, contribuição de patrocinadores e ao lucro do bar, terá deixado radiantes directores da colectividade e organizadores do evento.

 Por Tony Oliveira foi lida em palco a mensagem do presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Emídio de Sousa, dirigida à Associação da Comunidade Portuguesa de Pretória, do seguinte teor:

 “É com grande honra que, pela primeira vez, e em representação do Município de Santa Maria da Feira, me dirijo à comunidade portuguesa de Pretória, a quem desejo, desde já, um ano de 2014 repleto de realizações.

 Uma saudação calorosa a todos os portugueses e luso-descendentes, de uma forma especial – permitam-me – àqueles que têm as suas raízes em Santa Maria da Feira e nas Terras de Santa Maria, como é o caso do Sr. Antó-nio Oliveira, natural do nosso Município.

 Sabemos que não são muitos os feirenses actualmente radicados em Pretória, mas enchem-nos de orgulho os ca-sos de sucesso de que vamos tendo eco, não apenas a nível empresarial, mas também a nível cultural e recreativo, com iniciativas que ajudam a preservar a nossa identidade e tradições, sendo a mais simbólica para nós a realização da Festa das Fogaceiras.

 Sempre que sou chamado a intervir sobre esta festividade, seja nesta ou outras alturas do ano, aproveito a oportunidade para divulgar a celebração da Festa das Fogaceiras pela diáspora – em Pretória (África do Sul), Caracas (Venezuela) e Rio de Janeiro (Brasil), – e enaltecer o empenho das comunidades portuguesas na preservação da mais antiga e emblemática festa de Santa Maria da Feira, cujas origens remontam a 1505.

 Sinto-me muito honrado com o convite que me fora dirigido pela Associação da Comunidade Portuguesa de Pretória, para assistir à Festa das Fogaceiras na África do Sul. Gostaria muito de vivenciar este momento com todos os portugueses e luso-descendentes, mas, lamentavelmente, não foi possível concretizar a minha deslocação a Pretoria este ano, devido a compromissos anteriormente assumidos. Tudo farei para estar convosco em Janeiro de 2015.

 Estamos fortemente empenhados em fomentar as nossas relações com os feirenses e amigos de Santa Maria da Feira na diáspora, e preten-demos fazê-lo através da pla-taforma electrónica “Feirenses no Mundo”, que iremos lançar no final  de Fevereiro próximo. Será um espaço de partilhar de informação de carácter económico, mas também social e cultural, que visa manter vivos os laços de amizade com os países acolhedores, perspectivando a cooperação em vários domínios.

Despeço-me com uma palavra de apreço pelo trabalho desenvolvido pela Associação da Comunidade Portuguesa de Pretória, na expectativa de podermos estar em contacto brevemente, através da plataforma “Feirenses no Mundo”. A todos um grande bem-haja”.  Assinado Emídio de Sousa.

 Com a música para esta festa das “Fogaceiras” a cargo da “DJ VIX”, dirigiu-se ali por último aos presentes, o presidente da ACPP, comendador Má-rio Ferreira, para nas suas palavras agradecer a todos quantos de qualquer forma se envolveram ou colaboraram nos festejos realizados numa colectividade a que como referiu, desde há muito vem fazendo parte dos corpos directivos, para onde entrara como vogal em 1991, e há sete anos como presidente dirige os seus destinos.

 Dizendo ser a última vez que na qualidade de líder do executivo desta casa se dirigia aos presentes, uma vez que a as-sembleia-geral para eleição de novos corpos directivos será realizada a 16 de Fevereiro próximo, e de maneira nenhuma continuará neste cargo, dando a entender estar já de certa forma planeada a sua substituição, daí aproveitar para, alegando errar ser próprio do ser humano, pedir desculpa por qualquer erro que involuntário tivesse come-tido ao longo dos mandatos em que esteve à frente da ACPP, onde como alegou toda a gente que ali trabalha é por amor à colectividade, uma agremiação quer continuará a frequentar e a colaborar sempre que lhe for possível.