ACP de Pretória voltou a festejar as “Fogaceiras” de tradição feirense

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ACP de Pretória voltou a festejar as “Fogaceiras” de tradição feirense

A tradicional festa das “Fogaceiras”, celebrada com grande relevo a 20 de Janeiro de cada ano em Santa Maria da Feira, data respeitada neste concelho como feriado municipal, e implantada na ACP de Pretória em 1986 pelos feirenses Eduardo Pinho, Joaquim Candal e Eduardo Reis, passando a partir daí a fazer parte do calendário anual de eventos da colectividade, voltou a ser festejada nesta ACPP, no penúltimo domingo, dia 29 do mês transacto.

 A celebração abriu com um concorrido almoço de convívio tipo “self-service”, contando-se entre os presentes o conselheiro da embaixada Eduardo Rafael, o comendador Mário Ferreira, e os presidentes da Academia do Bacalhau, Tony Oliveira, e o da Casa do Benfica, Lino Faria, além de outras pessoas de Joanesburgo, como ali ouvimos ligados ao “Luso-África”, e que anualmente primam por marcar presença nestes festejos, com destaque para os irmãos Paulo e Tony Estrela.

 A seguir à actuação de Vânia Martins, já que mais tarde

outros artistas se lhe seguiram, caso de sua Gina Martins, Roberto Adão e Damião de Freitas, usou da palavra o presidente desta ACPP, Américo Pimentel, para na sua intervenção e depois de saudar e agradecer a presença de cada um ali nessa tarde, passar a destacar a ajuda que tivera para estes festejos, nomeadamente de Carla Ferreira na preparação do salão, a Pastelaria Princesa de Joanesburgo que este ano confeccionou as “fogaças”, à sua Direcção e ao comendador Mário Ferreira o apoio que lhe deram na organização do evento, não esquecendo os artistas que ali actuaram, a “DJ VIX” a música para este dia, os serviços de cozinha na confecção do almoço, e a comunicação social na cobertura dos festejos, onde destacou em primeiro lugar “O Século de Joanesburgo”.

 Passando de seguida a um resumo do que tem sido esta festa das “Fogaceiras” na ACPP – colectividade que segundo Américo Pimentel tudo tem feito para nos eventos que vem promovendo atrair a juventude, dando-lhe conhecimento desta e outras tradições -, onde devido à projecção desta grande festa, nela marcou presença no ano transacto o presidente da Câmara Municipal da Feira, Emídio de Sousa, e segundo esse autarca referiu, e em anos anteriores vimos dando conhecimento neste jornal, se deve ao seguinte:

 A festa das “Fogaceiras começou a realizar-se em vila da Feira por volta do ano de 1500 – reinado de D. Manuel -, como cumprimento de uma promessa feita a S. Sebastião pelos condes do castelo e da Feira, devido às pestes que por voltas do século XVI assolaram a Europa, causando milhares de mortos.

 Foi então que os condes do castelo, movidos pela fé, ergueram as mãos a Deus e recorrendo fervorosamente ao voto de louvor ao Mártir S. Sebastião, consistindo a promessa na oferta das fogaças (pão doce), que seriam transportadas por crianças vestidas de branco, em representação de todo o concelho, e finda a procissão as fogaças eram, umas oferecidas aos pobres e outras leiloadas, com o produto da sua venda entregue ao clero.

 Por volta do ano de 1749 os festejos conheceram uma interrupção devido a problemas de ordem económica. Foi então que outro surto de peste voltou novamente a assolar a região de Santa Maria da Feira, e por alvará municipal de 30 de Julho de 1953, o então Infante D. Pedro, irmão de D. João V, determinou que o município assumisse a realização dos festejos, para os quais fora atribuído um subsídio de 30 mil réis, e assim prosseguirem as celebrações até 1910.

 Chegados à primeira República, a Câmara afastou-se e a festa passa a ter subscrição pública, com a ajuda de um subsídio da Santa Casa da Misericórdia de Vila da Feira, para a partir de 15 de Julho de 1939, a Câmara Municipal da Feira decidir assumir a responsabilidade das celebrações, a serem realizadas a 20 de Janeiro de cada ano – data da morte do Mártir S. Sebastião – e decretado feriado municipal no ano de 1950, que continua a vigorar.

 No aguardado desfile desta tarde na ACPP, os presentes no salão assistiram à passagem pelo corredor central em direcção ao palco, das crianças transportando à cabeça as fogaças em representação de todas as freguesias do concelho de Santa Maria da Feira, indicadas na faixa branca ostentada por cada uma delas, com a bandeira do Mártir S. Sebastião e a miniatura do castelo da Feira a abrir o cortejo, perante os aplausos dos que nessa tarde ali conviviam.

 De seguida foi por Américo Pimentel feito em palco o leilão das fogaças das trinta e una freguesias do concelho da Feira, a saber: Santa Maria da Feira, Arrifana, Paços de Brandão, Santa Maria de La-mas, Lourosa, Fiães, Souto, Rio Meão, Gião, Vale, Espargo, Mosteiró, Fornos, Guisande, Caldas de S. Jorge, S. João de Ver, Vila Maior, Sanfins, Romariz, Milheirós de Poiares, Mouzelos, Travanca, Sanguedo, Nogueira da Regedora, Argoncilhe, Louredo, Lobão, Sampaio de Oleiros, Canedo, Escapães, e Pigeiros, sendo as mais caras a de Travanca adquirida por dez mil randes pelo comendador Mário Ferreira, seguindo-se a de Canedo arrematada por Tony Estrela no valor de sete mil.

 Enquanto no salão decorriam estes festejos, era simultaneamente projectado em “ecram” colocado em local bem visível, de maneira a que todos pudessem seguir todas as actividades relacionadas com as últimas grandes festas das “Fogaceiras” realizadas em Santa Maria da Feira, e por Américo Pimentel anunciada a encerrar a sua intervenção, a assembleia-geral anual da ACPP marcada para 19 de Fevereiro, onde como referiu será eleita nova Direcção, e por conseguinte de todo o interesse a presença na mesma de todos os sócios desta grande colectividade, em que como sublinhou todos devemos ter orgulho.