Acontecimentos de Maio

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Editorial - R. Varela Afonso

Editorial - R. Varela AfonsoEstamos em Maio, Mês de Maria, Padroeira de Portugal. Mais do que o “abril das coincidências”, Maio tem sido um mês de acontecimentos muito positivos…

O Papa Bento XVI, numa peregrinação de paz, efectuou uma deslocação histórica e de sucesso ao Médio Oriente, visitando a Jordânia e Israel, onde passou pela primeira vez por mesquitas consideradas lugares santos do Islão e por igrejas em Belém, Nazaré e Jerusalém, tendo aqui deixado, na Igreja do Santo Sepulcro, local onde Jesus foi crucificado e sepultado, uma mensagem de paz e o pedido para que a história não seja repetida.

Ficou a saber-se que o turco Ali Agca, que tentou assassinar o Papa João Paulo II, na Praça de S. Pedro, no Vaticano, a 13 de Maio de 1981, pretende, quando dentro de meses sair da prisão, converter-se ao catolicismo e ser baptizado na mesma Praça, para proclamar a sua nova fé. O turco recordou o Papa João Paulo II como um ser humano muito respeitável e de bom coração, expressando ainda o desejo de lhe  prestar homenagem no seu túmulo. O P esidente Cavaco Silva visitou a Turquia, ali tendo renovado o apoio de Portugal à entrada daquele país na União Europeia.

A nível do Portugal interno, o primeiro-ministro José Sócrates, em final de mandato, efectuou na sexta-feira a sua primeira visita oficial à Região Autónoma da Madeira e nos encontros políticos que teve com as autoridades locais foram quebrados alguns tabus entre os governos do Funchal e de Lisboa, com o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, a afirmar que “estou disposto a ajudar o meu País naquilo que for preciso ajudar”. Ontem, a região de Lisboa esteve em festa com as celebrações do cinquentenário do Santuário de Cristo Rei, monumento construído na margem sul do Tejo e frontal à capital a partir de uma promessa do Episcopado português para que o País fosse poupado da II Guerra Mundial. Milhares de pessoas acompanharam, no seu percurso por Lisboa, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que deixou a Capelinha das Aparições na Cova da Iria, para estar presente na Missa celebra a pelo enviado especial do Papa Bento XVI, o Cardeal D. José Saraiva Martins, e também na celebração religiosa realizada sábado à noite no Terreiro do Paço, a que presidiu o Patriarca de Lisboa, Cardeal D. José Policarpo, antes do cortejo das embarcações no rio com o andor.

Por cá, pela África do Sul, tivémos, em ambiente de verdadeira festa e de grande tranquilidade, a concorrida cerimónia da tomada de posse do novo Presidente, saído, tal como o novo Governo, de eleições democráticas. Pela primeira vez na África do Sul, esteve o antigo presidente da República, general António Ramalho Eanes, que participou, como representante especial do actual presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, na cerimónia de posse de Jacob Zuma. E porque não se pode separar a fé da vida e do que nela vai acontecendo, Fátima, local de fé transformado em altar do Mundo, celebrou na quarta-feira mais um aniversário, o 92.º da primeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos.

A celebração desta efeméride, profundamente ligada à relgiosidade popular, estendeu-se às igrejas portuguesas da África do Sul, numa evocação da data histórica de 13 de Maio de 1917. Em honra de Nossa Senhora de Fátima, houve festa, a 3 de Maio, na Igreja de S. Francisco de Assis em Vanderbijlpark; a 9 de Maio, realizou-se a habitual peregrinação anual entre a Igreja do Santíssimo Sacramento, em Malvern, e a Capela de Schoenstatt, em Bedfordview; a 10 de Maio, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Carletonville; no passado fim de semana, na Catedral do Sagrado Coração, em Bloemfontein; e no próximo domingo as celebrações decorrerão na Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Brentwood Park, Benoni. Para os nossos leitores mais jovens, que acompanham os pais na sua devoção religiosa, recordemos o que a história nos conta sobre os acontecimentos vividos naquela data por três crianças que apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, uma aldeia da Freguesia de Fátima pertencente à Diocese de Leiria. Nessa tarefa estavam a Lúcia de Jesus, então com 10 anos de idade,  Francisco e a Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos, respectivamente.

Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, as crianças entretinhamse a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica de Fátima. De repente viram uma luz brilhante, que julgaram ser um relâmpago. Decidiram ir-se embora, mas logo mais abaixo outro relâmpago iluminou o espaço e viram em cima de uma pequena azinheira – onde actualmente se encontra a Capelinha das Aparições – uma "Senhora mais brilhante que o sol", de cujas mãos pendia um terço branco.

A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim o fizeram e nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes na Cova da Iria. A 19 de Agosto, a aparição ocorreu no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque n  dia 13 as crianças tinham sido levadas pelo administrador do Concelho para Vila Nova de Ourém.

Na última aparição, a 13 de Outubro, tendo estado presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disselhes que era a "Senhora do Rosário" e que fizessem ali uma capela em sua honra. Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em Julho e Setembro: o Sol, assemelhandose a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na Terra. Posteriormente, sendo Lúcia religiosa da Ordem das Irmãs de Santa Doroteia, Nossa Senhora apareceu-lhe em Espanha (10 de Dezembro de 1925 e 15 de Fevereiro de 1926, no Convento de Pontevedra, e na noite de 13 para 14 de Junho de 1929, no Convento de Tuy), pedindo a devoção dos cinco primeiros sábados – rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Santa Comunhão, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria – e a Consagração da  ússia ao mesmo Imaculado Coração.

Este pedido já Nossa Senhora o anunciara em 13 de Julho de 1917, passando a fazer parte do chamado "Segredo de Fátima". Anos mais tarde, a Irmã Lúcia contou ainda que, entre Abril e Outubro de 1916, tinha aparecido um Anjo aos três videntes, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa de Lúcia, convidando-os à oração e à penitência. Desde 1917, não mais cessaram de ir à Cova da Iria milhares e milhares de peregrinos de todo o Mundo,  primeiro nos dias 13 de cada mês, depois nos meses de férias de Verão e Inverno, e agora cada vez mais aos fins de semana e no dia a dia, elevando-se agora a alguns milhões o número de pessoas que se deslocam anualmente a Fátima. A construção da Basílica foi iniciada em 1928 e o templo foi sagrado a 7 de Outubro de 1953. Os seus 15 altares são dedicados aos 15 mistérios do Rosário.O quadro do altar-mor representa a Mensagem de Nossa Senhora aos videntes, preparados pelo Anjo de Portugal, através do seu encontr com Cristo na Eucaristia. 

Vêem-se o Bispo da Diocese, de joelhos, do lado esquerdo, e as figuras dos Papas Pio XII – que consagrou o Mundo ao Imaculado Coração de Maria, em 1942, e cujo legado coroou a Imagem de Nossa Senhora, em 1946, coroa que foi uma oferta das mulheres portuguesas em agradecimento por Portugal ter ficado livre da II Guerra Mundial -, João XXIII e Paulo VI. Ainda na Basílica de Fátima, os vitrais representam cenas das aparições e invocações da Ladaínha de Nossa Senhora. Nos quatro cantos do interior da Basílica encontram-se as estátuas dos grandes apóstolos do Rosário e da devoção ao Imaculado Coração de Maria. Também se encontram na Basílica os túmulos de Francisco, Marta e de Lúcia, a última a falecer, em Fevereiro de 2005, e na capela-mor, os restos mortais de D. José Alves Correia da Silva, primeiro Bispo da restaurada Diocese de Leiria.

O falecido Papa João Paulo II visitou Fátima por quatro vezes. A primeira foi a 13 de Maio de 1982, para agradecer o facto de ter escapado com vida,  m ano antes, na Praça de S. Pedro, tendo consagrado, de joelhos, a Igreja, os Homens e os Povos, com menção velada da Rússia, ao Imaculado Coração de Maria. Hoje a Rússia já não constitui uma preocupação para a paz no Mundo e em Fátima existe, desde 13 de Agosto de 1994, um módulo de betão do que foi o tenebroso Muro de Berlim. Obstáculo à liberdade de ciculação de pessoas e bens entre Agosto de 1961 e Novembro de 1989, a partir de quando começou a ser demolido, aquele bloco do Muro de Berlim – com 3,60 metros de altura, 1,20 metros de largura e o peso de 2.600 quilos – foi oferecido por intermédio de um emigrante português na Alemanha e colocado em Fátima como grata recordação da intervenção de Deus, prometida em Fátima, na queda do comunismo. Mas o verdadeiro coração do Santuário, ampliado há dois anos com a inauguração da monumental Igreja da Santíssima Trindade, é a Capelinha das Aparições, cuja construção foi iniciada em 28 de Abril de 1919.

A primeira Missa foi ali celebrada a 13 de Outubro de 1921, ten o sido mandado instaurar a 5 de Maio do ano seguinte, por provisão do Bispo de Leiria, processo canónico sobre os acontecimentos de Fátima, tendo  o Papa Bento XVI aberto a causa da beatificação.  O local exacto das Aparições de Nossa Senhora estáassinalado junto à Capela da Cova da Iria por uma coluna  de mármore sobre a qual se encontra a imagem  de Nossa Senhora. Foi também junto dela que, em Fátima, muitos emigrantes da África do Sul oraram para que o processo da transição sócio-política para a democracia neste País fosse pacífico. Ela ouviu-os.