Accionistas do BPI aprovam desblindagem dos estatutos do banco

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Accionistas do BPI aprovam desblindagem dos estatutos do banco

O supervisor levantou a suspensão da negociação das acções do BPI que vigorou na quarta-feira, depois da realização da reunião magna de accionistas do banco e de o CaixaBank ter lançado nova OPA sobre aquela entidade.

 "O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deliberou o levantamento da suspensão da negociação das acções do Banco BPI, S.A., por terem cessado os motivos que justificaram a suspensão", lê-se no comunicado da entidade liderada por Carlos Tavares.

 O CaixaBank lançou uma nova Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade do capital do BPI, melhorando o preço face à anterior oferta, de 1,113 euros por acção para 1,134.

 As condições da nova OPA, que se tornou obrigatória depois de os accionistas do BPI terem aprovado em reunião magna a desblindagem dos estatutos do banco português, foram comunicadas no anúncio preliminar enviado pelo CaixaBank à CMVM.

 Os accionistas do BPI, que estiveram reunidos em Assembleia-Geral, no Porto, aprovaram a proposta de desblindagem dos estatutos do banco, pondo fim à limitação dos direitos de voto e abrindo caminho ao sucesso da OPA lançada pelo maior accionista, o espanhol CaixaBank.

 A limitação desses direitos dava até agora ao CaixaBank, que tem mais de 45% das acções, um poder decisório de apenas 20%, similar ao do segundo acionista, a empresária angolana Isabel dos Santos, que detém 18,6% do capital através da empresa também angolana Santoro.

 Além de abrir caminho ao controlo do BPI pelo Caixa-Bank, a desblindagem de estatutos permite também a redução da exposição do BPI em Angola, que é obrigatória segundo o Banco Central Europeu (BCE), uma vez que na terça-feira à noite foi conhecido que a administração do BPI fez uma nova proposta aos parceiros angolanos, que passa pela venda de 2% do capital do Banco de Fomento Angola (BFA) à operadora Unitel por 28 milhões de euros, permitindo que a operadora angolana passe a ser a maior acionista.

 Actualmente, o BPI detém 50,1% do capital do BFA, enquanto a Unitel é dona de 49,9%, e o objectivo desta operação é resolver a situação de ultrapassagem do limite dos grandes riscos impostos pelo BCE relativamente à exposição do banco português a Angola.

 Esta proposta feita à operadora Unitel, de Isabel dos Santos, estava condicionada à desblindagem dos estatutos do banco português, que se veio a verificar.

 Em Abril passado, o Caixa-Bank tinha anunciado a intenção de avançar com uma OPA sobre o BPI ao preço de 1,113 euros por ação, avaliando o banco em 1.600 milhões de euros.

 Nesta nova OPA o intermediário financeiro que representa os catalães é o Deutsche Bank – Sucursal em Portugal.

 O CaixaBank condiciona o lançamento da OPA à obtenção da não oposição das várias entidades de supervisão das diferentes jurisdições onde o BPI actua, além do Banco de Espanha, nomeadamente, o Banco Central Europeu (BCE), a Autoridade de Supervisão dos Seguros e dos Fundos de Pensões (ASF), a Comissão Europeia, o supervisor luxemburgês e o supervisor das Ilhas Caimão, o Banco Nacional de Angola e o Banco de Moçambique.

 Caso o CaixaBank consiga alcançar 90% do capital do BPI com esta OPA, pode recorrer ao mecanismo da aquisição potestativa que implica a imediata exclusão da negociação em bolsa do banco português.