Academia-Mãe recebida com requinte no seu convívio seminal

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Na quinta-feira 22 de Fevereiro, reuniram-se 46 pessoas, entre compadres, comadres e convidados, no restaurante “Vasco’s” em Bedfordview. De notar que o requinte imperou neste almoço, que desde os copos, as cadeiras, as toalhas e guardanapos de mesa e a qualidade da refeição, fizeram as delícias gustativas e visuais dos vários membros da tertúlia. O dono do restaurante, Vasco Velho, não poupou esforços para agradar aos convidados daquela tarde.

 O almoço foi aberto pelas 13:40, devido à enorme afluência de compadres, a mesa teve que ser aumentada várias vezes para acomodar todos, mas nem por isso, faltou conforto aos presentes, a mesa em “U”, ampla e disposta de maneira a que todos se pudessem ver uns aos outros e conversar.

 O compadre presidente José Contente inquiriu se “havia condições para começar” e uma vez os copos com vinho tinto, pediu ao compadre presidente honorário Adriano Leão, que desse o “tom” do brinde “Gavião de Penacho”. O presidente deu as boas-vindas a todos em torno da mesa e agradeceu a presença de todos.

 “É a primeira vez que almoçamos aqui no “Vasco’s”, foi um trabalho feito pelo nosso compadre Francisco-Xavier de Meireles e do nosso compadre Jorge Simons a quem agradecemos o trabalho e intenções. O convite foi muito bem aceite, temos uma mesa muito bonita, estamos mais de quarenta. Quero agradecer a presença do nosso compadre SP Pereira, contamos com o nosso compadre Maciel Pinheiro, o nosso compadre José Valentim e o nosso ex-presidente e compadre Manuel Sampaio. É uma grande alegria tê-los cá a todos, por isso, a todos um bom apetite.”

 Para “carrasco” da tarde, a escolha recaiu no “Carrasco-mor” compadre Rui Roxo. O primeiro prato foi servido, o da sopa de caldo-verde. O caldo, um tanto ou quanto grosso, mas de bom paladar, a couve cortada e escaldada na perfeição, com duas rodelas e chouriço. O prato da sopa seguiu as entradas de moelas guisadas e de bife trinchado, o que estavam também ela muito boas e foram elogiadas por todos.

 Após a sopa o compadre presidente soou o badalo e deu a palavra ao compadre Francisco-Xavier de Meireles. “Eu sou sempre compadre, tenho muito gosto em contribuir, sou compadre da Academia de Windhoek e tenho orgulho em ter ajudado a fundar a Academia do Luxemburgo. Mas não sou como o Mário Soares que tinha vários chapéus, eu sou compadre mas não deixo de ser vosso cônsul-geral.”

 “Quero vos falar, para esclarecer que é meu dever como cônsul-geral, chamar aos desafios da passagem da terceira geração. Não temos que ter medos. É um facto que a terceira geração não falar muito bem nem muito o Português, mas nós precisamos deles para ganhar o Futuro. Caso contrário, perdemos o Passado. São desafios que vencemos há 850 anos. Fizémos muitas asneiras, mas aprendemos com todas elas e fomos sempre capazes de evoluir, acabamos com a escravatura, a abolir a pena de morte, independência das colónias, que fomos os últimos, mas fizémos sem vergonha do nosso Passado. Estamos há 530 anos na África do Sul, são séculos de contribuição para um país, que nos dá certos direitos e responsabilidades e uma delas é a de maior visibilidade. O contributo da Comunidade é conhecido em privado, mas desconhecido em público. Temos que mudar isso, temos uma boa oportunidade, com os 50 anos da Academia de Joanesburgo, são obrigatórios os convites às entidades sul-africanas também”.

 O compadre prosseguiu na sua longa intervenção, “Estamos a organizar um evento e há a oportunidade, que é para todos se fazerem presentes. Ponham lá uma bancada, o nome da empresa e folhetos a explicar que são portugueses e que dão emprego a “x” pessoas na África do Sul. É cartão de visita para futuros negócios. Agora que a África do Sul está em novos tempos, das boas oportunidades. Os tempos de esperança e de adaptação, quando o novo presidente da África do Sul fala no combate à corrupção, temos que ter presente a fuga aos impostos. Neste desafio de rejuvenescimento, dá-me um gosto enorme, dar uma palavra de apreço a Vasco Velho, que tem um serviço que acho que vai agradar muito à Academia. Fico contente porque sem desfazer, não precisamos de dizer mal de alguém para dizer bem de outro. Este restaurante tem o serviço e apresentação que espelha a qualidade da Academia.”

 O compadre falou também no facto de que para se falar Português, ser necessário falar Inglês, “então que falemos Inglês para atrair os jovens.” Mostrou tristeza em não ver jovens em torno da mesa, “mas eles próprios irão pedir-vos para que falem das suas raízes, dos costumes e tradições e da língua lusa.”. Aludiu ao projecto “muito interessante e bom” da Academia da Ferrugem, o “qual vou apadrinhar brevemente e temos aqui o presidente, o nosso compadre Rudy Gallego”. Conclui a sua intervenção ao apelar ao uso da língua portuguesa.

 O prato principal foi servido, com o “fiel amigo” assado. As postas eram de tamanho razoável e embora ligeiramente sem sal, estavam muito bem demolhadas e assadas na perfeição. O acompanhamento de rodelas de cebola crua e batatas assadas estava também muito bom.

 Após o prato de bacalhau, interveio o compadre Manuel Sampaio. Em torno das mesas houve vários sorrisos por ver de volta ao convívio o ex-presidente, que é muito querido de todos.

 “É para mim e para a comadre Celeste um enorme prazer estarmos hoje aqui. Agora, entre Sidney e Joanesburgo, não é fácil mas sempre que nos é possível, estaremos cá. Em Sidney há vários encontros, eles infelizmente ainda não são experientes, estou a ajudá-los e creio que para o ano no congresso aqui, iremos propor a oficialização da Academia do Bacalhau de Sidney.”

 O compadre Sampaio informou também que esteve em Perth, Austrália e que a Academia agora tem um novo presidente e uma nova Direcção e segundo ele, estão novamente no bom caminho dos convívios regulares.

 O compadre Américo David, tal como no almoço decorrido na União Portuguesa, tornou a relatar a construção do Centro de Dia, no Algarve, feito pela Academia do Bacalhau do Algarve. A comadre Zilda Coelho apresentou a convidada, Celita Lahnner, que abriu um salão de beleza ao lado da agência de viagens Lusoglobo. “Tantas vezes lhe falei da Academia, hoje veio ao almoço”. A convidada apresentou-se ao dizer que é de Tete, Moçambique.

 O compadre Júlio Adão, apresentou a Amélia Roberto, “que vem pela primeira vez à Academia, mas que já a conhecia. O compadre Honório Roberto, ex-sogro fez parte da Academia pouco depois da sua fundação.”

 A convidada apresentou-se ao declarar “sou Amélia Roberto, estou a residir na África do Sul desde os oito anos de idade, o meu sogro sempre fez parte da Academia, hoje foi um grande prazer cá estar e espero poder vir mais vezes aos convívios”.

 Foi logo em seguida entregue o certificado de compadre a António José Machado Leite. O presidente informou que a data do congresso mundial de todas as Academias, que decorrerá em Joanesburgo de 17 a 21 de Outubro deste ano; que no dia 1 de Março serão apresentadas as contas na Assembleia-Geral da Academia-Mãe, a decorrer nessa quinta-feira no Lar Santa Isabel, almoço que será patrocinado pelo compadre Jorge Araújo. E, por fim, informou que a oficialização da Acade-mia do Bacalhau de Bordéus será a 27 e 28 de Abril deste ano.

 A palavra final foi dada ao “carrasco-mor”. Como sempre, as intervenções do compadre Rui Roxo são sempre sábias, pejadas de conhecimento e bom conselho, ponteadas com humor e muita boa disposição. Aplicou os “castigos” aos prevaricadores da tarde e a sua intervenção foi, como é sempre, fortemente aplaudida. Os cafés, com os digestivos foram levados para a mesa após a sobremesa, leite creme.

 O repasto foi encerrado com o entoar do refrão da Marcha da Academia e com o último “Gavião de Penacho”. O próximo almoço, depois de dia 1 de Março no Lar Santa Isabel, será na Belém e patrocinado pelo compadre João Lourenço.