Academia-Mãe do Bacalhau angaria R11.000 no convívio semanal

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Bacalhau

Na quinta-feira, 5 de Novembro, teve lugar no restaurante “Adega” a reunião-convívio semanal da Academia-Mãe do Bacalhau. Num almoço que reuniu mais de 55 pessoas, compadres, comadres e convidados, foram angariados cerca de R11.000, valor que reverterá para ajudar as obras no Lar Rainha Santa Isabel em Albertskroon, instituição onde há largos meses decorrem obras de construção da nova enfermaria.

 Nesta edição semanal da tertúlia fundada em Joanesburgo em 1968, foram entregues os certificados de “compadre honorário” a João Carreira e a José Vieira-Pereira, que segundo afirmou José Contente, actual presidente da Academia-Mãe, foram atribuídos “pela dedicação e empenho que têm dado à Academia do Bacalhau”.

 Os nomes, conforme as normas estipuladas em congresso anterior ao deste ano, são de dar conhecimento às várias tertúlias espalhadas pelo Mundo, dos compadres nomeados como honorários e para que todos os presentes em congresso possam assinar o certificado.

 Ainda neste convívio, foi cumprido um minuto de silêncio, pedido pelo presidente, em homenagem ao compadre Francisco Navio, falecido nas recentes cheias que ocorreram no Algarve.

 O almoço foi aberto com o presidente José Contente a fazer soar o badalo e a pedir ao compadre João Rosa Pinto que desse o tom do “Gavião de Penacho”, brinde da tertúlia.

 Devido ao número elevado de presentes no almoço, José Contente não fez como habitual e não deu as boas-vindas individualmente. Ainda no uso da palavra e enquanto de pé, o presidente aproveitou para declarar o seu agradecimento ao Século de Joanesburgo, “devido ao trabalho que o jornal tem feito em prol da Comunidade Portuguesa na África do Sul e sobretudo de toda a exposição e reportagens sobre a Academia do Bacalhau e dos Congressos das Academias do Bacalhau. Quero aqui agradecer e dedicar um Gavião de Penacho aos membros do jornal O Século de Joanesburgo”.

 O brinde foi então cantado aos membros e profissionais deste semanário presentes na tertúlia.

 A palavra foi depois dada ao presidente honorário, Adriano Leão, que marcou a sua presença após estar a recuperar da sua saúde. Na sua intervenção, Adriano Leão afirmou que “para quem como eu, teve o privilégio de conviver com o “Chico Navio”, sabem que foi compadre desta Academia e que tinha um restaurante nesta cidade de Joanesburgo, o “Mundo Português” – onde se sentavam 300 pessoas – que muitas vezes foi fechado exclusivamente para a Academia do Bacalhau e onde se fizeram grandes festas para a Academia.”

 Leão continuou, “era um individuo excepcional, fizémos grandes noitadas juntos… peço só que se lembrem dele como homem de maravilha. Saiu daqui há 20 anos, explorava um bar numa praia do Algarve. Era um homem que gostava de viver a vida!”

 José Contente informou ainda sobre este assunto, que por iniciativa do compadre Carlos Borges, a Academia do Bacalhau de Joanesburgo enviou uma coroa de flores à família Navio, por oxasião do seu funeral.

 Após estes momentos, a sopa de caldo-verde, foi servida e apreciada por todos os presentes. Logo em seguida ao primeiro prato, o presidente fez soar novamente o badalo e pediu a José Luís Rodrigues que apresentasse os seus convidados, que também foram levados ao convívio pelo compadre Orlando Marques. Assim, foram apresentados os que segundo José Luís Ro-drigues, “gente boa que se junta no NAC (Núcleo de Arte e Cultura) e o que fazem bem: é comer bem e beber ainda melhor!”

 Os convidados foram Manuel Francisco, António Leite, Sérgio Almeida, Luís Guerreiro, Chico Borges, Carlos de Ca-nha, José Ferreira, Manuel Oliveira, Fernando Almeida, António Borges, Pedro Ema-nuel, Eddy da Costa, Jonny Sousa, José Talasca e Luís Andrade. O presidente da mesa pediu depois a cada um que brevemente se apresentassem e dissessem a sua profissão.

 José Contente informou os presentes que, depois deste almoço, não necessitam de convite e que são sempre bem-vindos à tertúlia, da qual após o terceiro almoço, passam a ser compadres.

 Após estas intervenções, o prato de bacalhau foi servido. Desta feita confeccionado de três maneiras diferentes, cozido acompanhado de grão-de-bico, assado no forno e à Brás. Isto, pois o gerente da “Adega” e compadre honorário da Academia de Joanesburgo, Vasco Pinto de Abreu, pediu à cozinha que preparasse o “fiel amigo” assim para que não faltasse bacalhau a ninguém e porque a afluência ao almoço foi maior do que a habitual.

 Enquanto os compadres apreciavam os pratos de bacalhau, numa quebra habitual de protocolo dos almoços, foi entregue a João Carreia o seu certificado de compadre honorário. Visivelmente emocionado, João Carreira naquele momento nada disse, mas a emoção e gratidão do gesto estavam estampados no seu rosto. O certificado foi entregue durante o prato do “fiel amigo”, pois a esposa e as filhas do agora compadre honorário, tiveram que retirar-se do almoço mais cedo, devido a outros compromissos.

 Findo o prato principal, foi a vez de ser entregue a José Vieira-Pereira, também o certificado de compadre honorário. Vieira-Pereira, também ele visivelmente satisfeito com o reconhecimento e emocionado com o gesto da tertúlia para com ele.

 De notar que em ambos os momentos das entregas de certificados honorários, os visados mereceram por parte dos presentes, uma ovação de pé.

 Depois dos momentos fotográficos, foi dada a palavra a João Rosa Pinto, compadre desta tertúlia e um dos fundadores da Academia da Cos-ta do Estoril. “Boa tarde a todos, comadres, compadres e visitas”, começou por dizer, “cheguei há três semanas e este é o quarto almoço em que participo. Desde 1968 que esta foi sempre a minha Academia. Regressei a Portugal e lá o “bichinho” da Academia continuou. Lá, fui um dos fundadores da Academia do Estoril e obtive o meu certificado, dado que na minha altura por cá, não eram atribuídos. Nesta Academia andei trinta anos e só quero dizer, àqueles que vêm pela primeira vez, não venham só pelo diploma! Venham para participar! Ao longo de tantos anos, vi gente como esta em torno da mesa hoje, que galhofaram e que no meio disto tudo, há uma coisa acima de tudo: é o amor aos outros e a solidariedade. Por isso, apelo a sejam compadres, não se-jam apenas visitantes esporádicos! Hoje estou aqui, entristece-me que talvez seja pela última vez, tenho quase 82 anos…”

 Neste momento, fez uma pausa, pois devido à como-ção, faltou-lhe a voz. Retomou o seu discurso ao afirmar que “a única coisa é que a Academia do Bacalhau, foi a melhor coisa que nasceu em 1968 nesta Comunidade. A todos aqueles que ficam, peço que continuem a obra da Academia!”

 Estas palavras proferidas pelo compadre João Rosa Pinto mereceram uma ovação de pé e um Gavião de Penacho.

 Em seguida, o compadre Rudy Galego pediu a palavra e na sua intervenção afirmou que “em primeiro lugar quero congratular o compadre presidente pela maneira como conduziu o congresso mundial das Academias. Deixem-me dizer, que este congresso foi fora de série, mas houve duas ou três faltas! A primeira falta, é que a acta do congresso anterior tem que ser lida antes do início de cada congresso. A segunda, é que em questão dos compadres honorários, o livro de presenças foi fraco! Mas de qualquer maneira, bem hajam, foi um bom congresso”, concluiu o compadre Gallego.

 O compadre Maciel Pinheiro, responsável pelo banco Santander Totta na África do Sul, pediu a palavra para entregar um cheque no valor de R5.000, para os fundos da Academia de Joanesburgo.

 O presidente José Contente entregou logo de seguida um cheque no valor de R7.000 ao centro de dia “Coração de Maria”, a funcionar às quintas-feiras, na sede do NAC.

 O compadre da tertúlia e presidente do NAC, Joaquim Coimbra agradeceu ao afirmar “boa tarde a todos compadres, comadres e amigos. Estou muito grato à Academia – como sempre – pela ajuda e como sempre procuro a vossa ajuda e apoio. E conselho também dos profissionais do Lar Rainha Santa Isabel, para melhor servirmos e providenciarmos os nossos utentes com um serviço de qualidade. Aproveito, lanço o convite pa-ra quem queira lá ir ver, o nos-so concerto a 3 de Dezembro.”

 Aproveitando a onda de do-nativos, o compadre e vice-presidente da Academia-Mãe, Paulo Mariano pediu a pala-vra para também ele entregar um cheque no valor de três mil randes. Afirmou Mariano que “são com estes pedaci-nhos de papel [cheques] que ajudamos e fazemos bem aos outros e aqui à nossa Acade-mia, eu só gostava que houvesse mais gente a ajudar e a contribuir!” Contou em seguida, duas anedotas para gáudio dos presentes.

 O compadre João Carreira, ao pedir a palavra no conví-vio, agradeceu então a atribuição do certificado honorífico! “Só quero dizer, o meu muito obrigado. Quando che-guei em 1975 à África do Sul como refugiado de Angola, a Sociedade Portuguesa de Beneficência (SPB) ajudou-me muito e desde então, tentei sempre retribuir.”

 Contou depois também ele uma anedota para entretenimento de todos. A palavra foi também dada à comadre Isabel Policarpo. A presidente da Direcção da SPB afirmou no seu discurso que “hoje queria dar um agradecimento muito especial ao Século de Joa-nesburgo, ao senhor Varela Afonso, ao Michael Gillbee e ao Carlos da Silva. Quando cheguei ao jantar do Congres-so da Academia do Bacalhau em Durban, só conhecia as pessoas de Joanesburgo e os compadres que estiveram connosco no Lar, mas várias pessoas vieram-me cumprimentar e dar os parabéns pelo trabalho que está a ser feito no Lar Rainha Santa Isabel e pediram-me para continuar. O Século voltou a colocar o Lar no mapa.

 A todos eu respondi que temos uma grande equipa e juntos vamos continuar a atingir os nossos objectivos e sonhos.”

 Continuou Policarpo ao atestar “temos feito muito durante este último ano com o apoio de grandes e generosos benfeitores e hoje, mais uma vez, venho pedir que nos ajudem para que tenhamos um Magusto em grande e que seja o melhor de sempre. A nossa Comunidade está com grandes dificuldades e nós temos que fazer o nosso melhor para ajudar. Existem pessoas que estão em situações difíceis e nem sempre por culpa própria. Peço a vossa ajuda e patrocínio, para que possamos tal como o ano passado, convidar os residentes dos outros Lares portugueses aqui em Gauteng.”

 No mesmo tópico, a comadre Analiza Lousada também falou sobre o evento do Magusto, o qual está a ajudar a organizar e no convívio, apelou aos presentes à compra de bilhetes para o evento.

 Antes da palavra final do almoço ser atribuída ao compadre “carrasco” da tarde, foi ainda dada à comadre Luísa Fragoso, cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo. Na sua intervenção expressou o seu agrado pelos convívios e afirmou “apenas o habitual convívio que tenho convosco de voltar à casa que nos acolhe. Levanto a questão boa, de que será que o congresso nos deixa assim tão mais unidos? Visto o resultado que aqui temos hoje em torno da mesa do almoço. Dizer-vos também que, basicamente, foi um prazer estar no congresso e que certamente que fui uma testemunha muito presente do que lá se fez. Queria deixar uma palavra de amizade e reconhecimento pelo que fazem aqui e desejar-vos continuados sucessos e felicidades”, terminou a comadre Fragoso.

 Por fim, a palavra final foi dada ao “carrasco”, nesta tarde eleito o compadre Tó Rebelo. As multas foram atribuídas e distribuídas e os digestivos foram servidos com os cafés. De notar, que cada convidado contribuiu com R200 para a Academia, embora os seus almoços tivessem sido pagos pelos compadres Orlando Marques e José Luís Rodrigues, quiseram os convidados também contribuir positivamente na tarde. Assim, quase R3.000 foram também angariados para a Academia-Mãe.