Academia do Bacalhau de Joanesburgo prepara festa do 48º aniversário

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A Academia do Bacalhau de Joanesburgo reuniu-se no dia 2 de Junho em convívio se-manal, como é hábito às quintas-feiras, no restaurante “Adega” em Bedfordview.

 No almoço da tertúlia desta semana foram angariados 22.000 randes em doacções para o jantar de gala que visa celebrar o aniversário da fundação da tertúlia, que teve lugar a 10 de Junho 1968. Os doadores em questão foram os compadres vice-presiden-tes Paulo Mariano, com a quantia de 10.000 randes, e Ivo de Sousa com 6.000 randes, verba destinada a reservar uma mesa de 12 lugares destinada a residentes do Lar da Beneficência na festa da Academia. O terceiro donativo proveio da Fundação Rudi Gallego, com a quantia também de 6.000 randes.

 O presidente honorário da Academia-Mãe, compadre Adriano Leão, levou ao convívio Álvaro Legoinha, responsável pelo escritório de representação em Joanesburgo do “Novo Banco”, antigo Banco Espírito Santo.

 O almoço foi aberto com o soar do badalo, simbolo da tertúlia, pelas 13h30 e foi pedido ao compadre Rudi Gallego que desse o “tom” do brinde inicial. O presidente José Contente, procedeu depois às boas-vindas a todos em torno da mesa, mencionando cada pessoa e mostrou apreço pela presença de todos. Para “carrasco” da tarde, a tarefa coube ao compadre Vasco de Abreu, também tesoureiro da tertúlia.

 Esta semana, o convívio teve um ar de leveza, com salutares conversas em torno da mesa, antes e equanto o pri-meiro prato, a sopa de caldo-verde, foi servida e apreciada por todos. No primeiro andar da “Adega” ouviram-se gargalhadas, risos, várias conversas paralelas e a boa disposição reinou durante todo o almoço.

 Findo e levantado o primeiro prato, o presidente pediu ao compadre Adriano Leão que apresentasse o seu convidado da tarde. “Hoje trago aqui o Álvaro. Conhecemo-nos há pouco tempo mas travámos uma boa amizade e queria que ele viesse conhecer a Academia”, afirmou o compadre Leão.

 O presidente deu depois a palavra ao convidado. “Boa tarde a todos. Antes de mais, quero agradecer e aproveito formalmente para agradecer ao Adriano Leão o apoio e recepção de que eu e a minha família fomos alvo aqui na África do Sul. Como já disse, o meu nome é Álvaro Legoinha, é um nome de origem transmontana, vivi no Minho mas estudei e tirei o meu curso no Porto. Comecei a trabalhar no Banco Espírito Santo no Porto. Aproveito para dizer que também sou do FC Porto”, esta última afirmação arrancou vaias e comentários em picardias dos vários compadres em torno da mesa.

 Legoinha continuou ao contar que “em termos profissionais, fui responsável da zona Norte e Centro de Portugal pelo BES e portanto conheço mui-to bem a realidade do BES e de Portugal nessas zonas. Fui depois para a área de imóveis do banco em Lisboa quando me foi lançado o desafio em 2013. Assisti in loco ao colapso do BES, porque estava em Lisboa e mais tarde em Setembro 2015, foi-me lançado outro desafio de vir para aqui para a África do Sul. Vim com a família, sou casado e tenho três filhos. Globalmente a família adaptou-se muito bem, às escolas e à realidade do país. Da parte profissional, vim encontrar uma situação muito difícil e delicada. Vim encontrar um escritório sem representante há já algum tempo e a minha primeira preocupação passou por organizar o escritório, conhecer os clientes – que rondam entre os 6 e 7 mil clientes – a maioria ainda com problemas e,  caso a caso, estamos a dar o melhor caminho a seguir. Está organizado o escritório e agora é continuar a trabalhar. Posso garantir-vos que ali no “Novo Banco” podem contar com pessoas que vos dirão as coisas como elas são e va-mos tentar resolver os problemas. Peço-vos, quando houver dúvidas, que venham falar connosco!”

 O convidado da tarde, concluiu a sua apresentação ao afirmar que “em termos de futuro, quero conhecer toda a dinâmica e realidade da Comunidade Portuguesa, porque daquilo que já conheço, tenho elogiado muito o que aqui se faz. Em Portugal não há muito bem a noção do que se faz e do que se passa aqui. Tenho passado esse elogio, sobre a dinâmica e o que se faz aqui. Dentro do possível, contem comigo pessoalmente e contem connosco, em termos de banco, a situação não está fácil e não é das melhores, mas acredito que vai melhorar e por isso, dentro daquelas que são as nossas possibilidades e dentro da situação actual, contem connosco.”

 José Contente aproveitou, finda esta apresentação, para informar que o compadre João Branco tinha sido submetido a uma intervenção cirúrgica à coluna e que já se encontra em casa a recuperar e está bem.

 Foi pedido depois à comadre Milita Vieira-Pereira para que apresentasse também a sua convidada, a sua nora, Lisa Pereira. A jovem portuguesa encontra-se em Abu Dhabi onde é professora assistente e onde marido é contabilista a trabalhar no emirado. Esteve na África do Sul em visita ao pai, também compadre na Academia de Welkom, que se encontra em recuperação depois de um acidente.

  Antes do prato principal ser servido, o compadre Rudi Gallego pediu a palavra e falou sobre o compadre Luís Alves. Inquiriu sobre o seu paradeiro, a sua situação de saúde e mostrou-se visivelmente preocupado com aquele compadre da Academia-Mãe.

 José Contente informou-o que já não se encontra no Lar Santa Isabel, pois devido à sua condição especifica de saúde, foi acolhido num centro especializado em cuidados a pacientes com Alzheimers em Midrand. “Tanto quanto se sabe”, afirmou Contente “ está bem. Mas eu conheço os filhos e vou inteirar-me bem de tudo e depois faço o “report back””

 O “fiel amigo” foi levado para a mesa, desta feita assado com batatas a murro, coberto de pimentos e cebolas. O prato estava bem guarnecido e as postas em questão de tamanho razoável, o que foi um contraste bem-vindo pelos presentes em relação ao fraco almoço servido na semana anterior.

  Durante o prato de bacalhau, as conversas paralelas, as gargalhadas e o riso voltaram a pontuar o bom ambiente ali vivido naquela tarde.

 Após o prato principal ter sido levantado da mesa, José Contente voltou a soar o badalo para tomar da palavra. Mencionou  o donativo de seis mil randes por parte do compadre e vice-presidente Ivo de Sousa, que se destina a pagar uma mesa para os residentes do Lar, na noite de gala. O mesmo fez em referência ao compadre e vice-presidente da tertúlia Paulo Mariano, que entregou ao presidente um cheque no valor de  10.000 randes, com o mesmo fim.

 O compadre Rudi Gallego informou que a sua Fundação também iria doar a importância de seis mil randes, com a mesma finalidade.

 José Contente informou que foi entregue por parte de Manuel da Canha, CEO do AMH Group, uma carrinha nova de nove lugares para o transporte dos residente do Lar Santa Isabel [reportagem nesta edição] o que mereceu que fosse cantado um “Ga-vião de Penacho” em honra ao empresário e mecenas português que doou o veículo ao Lar.

 “É importante frisar que houve pessoas que disseram que saindo elas do Board of Trustees da SPB e da Direcção do Lar, coisas como estas nunca mais iriam acontecer. Pois está aqui a prova que a Comunidade Portuguesa pensa na instituição, ama os seus e que seja quem for que esteja à frente do Lar e da SPB, a Comunidade continua atenta às necessidades do Lar, continua a ajudar e continua a fazer o bem!” O presidente deu então o “tom” do brinde.

 Logo em seguida, o compadre honorário João Carreira propôs que se cantasse à comadre Analisa igual brinde, pelo excelente trabalho que esta tem desempenhado na organização do jantar de gala e em serviço da Academia-Mãe. Igual brinde foi cantado à Comadre Analisa Lousada, que tinha um visível sorriso de felicidade estampado no rosto.

 Membro da Academia desde os seus primórdios, o compadre SP Pereira, grande benfeitor da Sociedade Portuguesa de Beneficência ao longo de todo o seu historial, com a oferta de uma carrinha durante a presidência de Giorgio Pagan e diversas contribuições financeiras, uma das quais foi aplicada na aquisição do primeiro Lar de Idosos em Bez Valley, reafirmou a sua abertura para reduzir o montante das despesas da Academia com a sua festa de aniversário.

 No meio da boa-disposição e alarido dos brindes, o compadre “contador-mor de anedotas” da Academia, título atribuído ao compadre Paulo Mariano, fez as delicias cómicas de todos sentados ao redor da mesa do almoço, com algumas anedotas do seu vasto almanaque. Mereceram forte aplausos e largas gargalhadas.

 Depois, num momento um tanto ou quanto anti climático da tarde, o compadre Jorge Araújo abordou a questão do almoço servido na semana anterior e a maneira como na-quela tarde fora abordado  pelo compadre Luís Ferreira.

 O presidente, em seguida, num tom mediador e apaziguador, abordou a questão. Contente afirmou que a tertúlia existe “há quase cinquenta anos e que estamos aqui porque gostamos da casa, mas também queremos ser bem servidos. Acho que a bem, a falar, tudo se resolve e temos que ver as questões dos preços e daquilo que nos é oferecido, mas também daquilo que trazemos connosco enquanto tertúlia e parte da Comunidade Portuguesa.”

 Por fim, enquanto as sobremesas estavam a ser degustadas e antes dos cafés, a palavra final foi dada ao “carrasco” da tarde. O compadre Vasco de Abreu, com a sua experiência de anos da tertúlia, com um misto de comédia, sarcasmo e amizade, leu a sua sentença e atribuiu as “multas” aos prevaricadores da tarde. Mereceu um forte aplauso de um trabalho bem feito, na qualidade de “carrasco”.

 Cantou-se como é hábito o refrão da Marcha da Academia e entoou-se pela última vez naquela tarde, o “Gavião de Penacho”.

 Como é usual, muitos compadres e comadres, permaneceram em conversa e a jogar as cartas pela tarde adentro.