Academia do Bacalhau de Joanesburgo celebrou 51º aniversário

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Na sexta-feira, 31 de Maio, decorreu no Wanderers Club em Illovo, Joanesburgo, a gala de celebração do 51º aniversário da Academia-Mãe do Bacalhau. Na noite de festa foi entregue à Sociedade Portuguesa de Beneficência (SPB) um cheque no valor de 150 mil randes pelo actual presidente do Luso South Africa Trust, o compadre Carlos Borges.

 Serviu o certame, também, como evento de abertura oficial das comemorações do 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

 A festa da Academia-Mãe do Bacalhau juntou 150 compadres, comadres e convidados para celebrar o aniversário da tertúlia e aquela que foi a primeira comemoração por parte da sociedade civil do Dia de Portugal em 1968, aquando da sua fundação.

 O compadre Gilberto Martins foi o apresentador da noite e pelas 20 horas deu as boas-vindas a todos os presentes. “Boa noite a todos e antes de mais, quero pedir uma enorme salva de palmas à equipa organizadora deste jantar de gala e também para o nosso compadre honorário Pedro Silva, do Silva Sale que nos recebeu aqui esta noite”.

 Subiu depois ao palco o artista Roberto Adão, que cantou os hinos nacionais da África do Sul e de Portugal, bem como a Marcha das Academias do Bacalhau.

 De notar, que no aniversário da Academia-Mãe participaram cinco compadres e comadres da Academia de Maputo e o compadre presidente honorário da Academia do Bacalhau de Pietermaritzburg.

 A abertura oficial do jantar, como de qualquer evento da tertúlia, foi com o “tom” do brinde “Gavião de Penacho” que foi dado pelo presidente Manuel de Arede. A comadre honorária Isabel Policarpo subiu depois ao palco para fazer uma oração de acção de graças antes da refeição ser servida.

 O compadre Gilberto Martins agradeceu a todos os patrocinadores da gala e que tor-naram o evento possível.

 Os convidados na noite foram recebidos com vários salgados e vinho do Porto e a refeição teve como entrada salmão de três formas diferen-tes. A sopa, de caldo-verde estava perfeita e foi do agrado de todos os presentes. O prato principal teve duas opções, bacalhau confeccionado com natas e numa cama de repolho, receita que o compadre honorário Pedro Silva provou na cidade do Porto. A segunda opção foi um prato de frango, recheado e que também fez as delícias dos presentes. A sobremesa foi torta de chocolate e vários bolos e pasteis portugueses. Sobre a mesa, vinho português brindou e regou a festa.

 O compadre presidente honorário da Academia de Pietermaritzburg, Joaquim Matos, pediu para falar. “Muito boa noite a todos, compadres, comadres e digníssimas autoridades. Sou presidente da Academia do Bacalhau de Pietermaritzburg e é com muito orgulho que estou aqui hoje a celebrar os 51 anos da Academia-Mãe. Faço, no entanto, um apelo, para reintegrarmos as Academias que estão mais inactivas. Pedia também uma salva de palmas pelas comemorações do Dia de Portugal, que hoje se iniciam.”

 “Quero apenas entregar nas mãos do presidente Arede uma lembrança, que irá para o museu para assinalar a data por parte da Academia de Pietermaritzburg”, concluiu o compadre presidente Joaquim Matos.

 O compadre Carlos Borges subiu em seguida ao palco. Foi entregar um cheque de R150.000

 “Muito boa noite a todos. Em primeiro lugar quero chamar ao palco os compadres José Valentim e Nelson Reis, que fazem parte da minha Direcção do Luso Trust.”

 “Também gostaria de aproveitar esta oportunidade para daqui saudar e desejar as melhoras ao compadre presidente honorário da Academia-Mãe e ex-presidente do Luso Trust, Adriano Leão.

 A minha presença aqui hoje é para assinalar a entrega de um cheque no valor de 150 mil randes para a Sociedade Portuguesa de Beneficência, oferta do Luso Trust que em reunião realizada no dia 30 de Maio 2019, decidiu propor à Direcção da SPB que aplique 101 mil randes através do quadro de honra exposto no salão nobre do Lar Rainha de Santa Isabel e os restantes 49 mil randes, pode a Direcção da SPB utilizá-los da melhor forma que entender.”

 “Por último, gostaria de esclarecer que os donativos aqui e hoje oferecidos são o resultado e a vontade do ex-presidente o compadre Adriano Leão e que nós, Direcção, concordamos e à qual gostaríamos que fosse chamada a época de ouro do presidente Adriano Leão, para a qual peço a vós presentes uma grande salva de palmas.”

 “Aproveito a oportunidade para informar que desde a fundação do Luso Trust em 1986 até aos dias de hoje, o total dos donativos oferecidos à SPB é de 1 milhão 683 mil 235 randes.

 Por último, endereçar ao compadre presidente da Aca-demia do Bacalhau de Joanesburgo, à Direcção, a todos compadres e comadres os meus parabéns por mais um aniversário e que continue por muitos e bons anos”, concluiu o compadre Carlos Borges.

 Os vários artistas, Diana-Lee, Kátia de Ponte, Miguel Pregueiro, Jason da Costa e Roberto Adão subiram ao palco para cantarem e entreterem os presentes enquanto degustavam a refeição.

 Após a refeição, o presidente da Academia-Mãe do Bacalhau, o compadre Manuel de Arede subiu ao palco para discursar.

 Após ter saudado todos os presentes, o presidente de Arede afirmou: “Hoje, comemoramos 439 anos da morte de Luís Vaz de Camões. Quero aproveitar esta oportunidade para recordar Luís Vaz de Camões, poeta português, considerado uma das maiores figuras da literatura portuguesa e lusófona, um dos grandes poetas da tradição mundial no período do Classicismo, tornando-se um dos mais fortes símbolos de identidade da sua pátria e é uma referência para toda a Comunidade portuguesa e lusófona.

 Este grande poeta enigmático, que quase nada se sabe sobre ele, aparentemente nasceu em Lisboa e estudou Teologia e Filosofia na Universidade de Coimbra, mas a sua passagem pela escola não é documentada.”

 “Luís Vaz de Camões era um homem boémio, querido pelas donzelas e das cortes e rejeitado pelos varões do sistema vigente na altura, daí preso diversas vezes e desterrado para as Índias e África, onde escreveu parte das suas grandes obras, acabando por escrever as suas últimas obras em Macau. Lá para as costas do Camboja, durante um naufrágio segurou “Os Lusíadas” numa mão e nadou com a outra para salvar a obra. Foi um renovador da língua portuguesa e uma grande referência no mundo da literatura, perdendo a vida no dia 10 de Junho de 1580, data esta que comemoramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, vítima de doença depois de viver seus anos finais num quarto de uma casa próxima da igreja de Sana Ana num estado da mais absoluta pobreza.”

 “E nós inspirados na vida de Luís Vaz de Camões e nas condições em como perdeu a vida, hoje a Academia do Bacalhau, criada a 10 de Junho de 1968, tem como objectivo principal, junto com os seus associados, ajudar os mais necessitados, incluindo idosos residentes na Sociedade Portuguesa de Beneficência, que ontem foram de grande importância na nossa Comunidade ao redor do Mundo e hoje devido às circunstâncias da vida se encontram numa condição que necessitam do nosso apoio, cuidado e carinho.”

 O compadre presidente agradeceu ao anterior executivo da Academia-Mãe do Bacalhau, na pessoa do compadre José Contente, pelo trabalho feito em prol da SPB e da tertúlia, bem como da Comunidade portuguesa.

 O compadre de Arede referiu “como dizia Camões, jamais haverá um ano novo se continuarmos a copiar os erros dos anos velhos”, e o executivo da Academia-Mãe tem um lema de reconciliar o Passado e construir o Presente para um Futuro melhor, para levarmos a nau ao porto, para dar algum conforto aos infelizes”.

 Informou que a Academia-Mãe possui um executivo aberto e que quem quiser co-laborar será muito bem-vindo. Agradeceu ao executivo pelo trabalho feito até à data e em organizar o jantar de gala do 51º aniversário da tertúlia e o donativo do Luso Trust.

 O apresentador da noite, o compadre Gilberto Martins, chamou depois ao palco o compadre Francisco-Xavier de Meireles, cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo.

 “Muito boa noite, eu vou já pedir desculpa porque estou um pouco emocionado, porque desde que aqui cheguei, tenho-me esforçado por sublinhar e agradecer a quem dignifica e edifica obras da Comunidade e quem organiza estes eventos, para que possamos estar presentes nestas obras e jantares. Também salientar as obras dos jovens, porque não se canta assim sem treinar muito. Queria aproveitar o desempenho deles para lembrar por um lado, que estas canções que cantamos, para eles significam uma saudade e uma memória da terra que já não é deles. Representou para muitos de vós namorados que iam partir para um desconhecido e que não sabia se voltavam, esse risco e coragem faz muito parte da nossa cultura portu-guesa, e também fazer parte dos que partiram e dos que viram partir.

 “Quero também agradecer por terem aceite deslocar o aniversário da Academia do Bacalhau não só do dia 10 de Junho como é habitual, mas para o dia 31 de Maio, porque esse gesto representou um esforço de compromisso e de conciliação com a restante Comunidade que tem que ser aplaudido e aqui aplaudo publicamente.”

 “No essencial queria celebrar isso e queria reflectir o seguinte: nós temos 24 mil inscritos recenseados nas eleições portuguesas. Em Joanesburgo votaram 252, ou se-ja, em cada mil portugueses que podiam votar, votaram um bocadinho mais do que 14. O que quero dizer e vou dizê-lo em inglês, porque quero que os jovens artistas percebam e outros que têm em casa e nas famílias, estejam cientes disto. A legislação dá-vos o direito à nacionalidade portuguesa, mas se não participarem o que é que realmente significa?”, concluiu assim o compadre de Meireles.

 Logo em seguida, foi chamado ao palco o compadre Manuel de Carvalho, o embai-xador de Portugal na África do Sul.

 “Muito boa noite, muito obrigado pelo convite, senhor pre-sidente da Academia-Mãe do Bacalhau, muito obrigado e estão todos de parabéns que organizaram este jantar.”

 “Pediram-me que fosse breve e por isso não vou falar das deslocações que fiz pela África do Sul nos últimos tempos, não vou falar do Congresso dos 50 anos da Academia do Bacalhau, não vou falar da troca de presidência dentro da Academia do Bacalhau, não vou falar das mudanças que têm tido lugar dentro da África do Sul e que aliás são bastante importantes e que nos interpelam, não vou falar das eleições de Portugal até porque  o cônsul em Joanesburgo já o fez. Mas, vou pegar no mote no presidente da Aca-demia que nos falou de Camões, porque efectivamente, estamos a começar o ciclo das celebrações do 10 de Junho, dia de Camões – muito bem – das Comunidades Portuguesas e de Portugal. E portanto, gostava de me fixar na Comunidade, nesta Comu-nidade que eu tenho a honra de acompanhar, servir e de procurar o quanto possível, amparar da maneira que seja possível. E ajudando a fazer – lá está – a ponte com Portugal que está longe, mas que ao mesmo tempo está perto. Tenho reparado que este jantar tem decorrido quase só totalmente em Português, o que muito me agrada. Esta Comunidade, gostava de en-fim, de saudar o trabalho e a boa imagem que os portugueses dão de Portugal na África do Sul, o orgulho que têm em ser portugueses e como cantávamos a “Casa Portuguesa” ou o “Vinho Verde”, é emocionante, estamos longe de casa e, portanto, é de facto emocionante. Tem múltiplas capacidades, competências e está espalhada pelo país inteiro. Visitei várias províncias e sítios e encontrei portugueses praticamente por todo este grande país. Quero começar por falar das obras, dos jovens que em muito especial nos cantaram e encantaram e que é um pequeno prenúncio do que vamos ter mais adiante durante a semana. E, portanto, gostava de pedir a todos uma enorme salva de palmas para os jovens que nos cantaram. Jovens que nós queremos manter juntos com a Comunidade”.

 Depois, em inglês, o compadre de Carvalho afirmou “tenho receio que alguns dos presentes não entendam tudo na perfeição. Estamos todos, de alguma maneira, ligados a Portugal, temos que manter em mente que Portugal não é algo do Passado, que é do Futuro e uma das coisas que temos estado a trabalhar durante estes meses, tentarmos promover e que se saiba mais sobre o país. Podem ir estudar em Portugal, tivemos há algumas semanas, como temos sempre, a entrega dos diplomas aos estudantes de Português. E este ano trouxemos alguém do Ministério do Ensino Superior para explicar publicidades em enviar e ir para Portugal estudar nas Universidades portuguesas. E isso é algo que foi muito benéfico para quem lá esteve na Embaixada de Portugal.

 Temos Universidades nos mais altos rankings a nível mundial e para quem chega a esta altura da vida e tem de optar por um curso e onde estudar, gostaria de dizer que Portugal é uma boa opção. Há uns meses também tivémos alguém da Universidade de Lisboa. Explicaram tudo e a reacção foi muito positiva. Encorajo a todos, que se apro-ximem de nós ou os professores de Português e perguntem. Temos a mais alta qualidade de ensino no país das vossas raízes e do Futuro. Um país que é cosmopolita. Pensem em Portugal”.

 De novo em Português, afirmou “gostava de falar do trabalho da Embaixada e do Consulado, com o compadre presidente, todos aqui sabemos e quero aliás prestar homenagem ao donativo que aqui foi feito hoje, pelo Luso Trust para a Sociedade Portuguesa de Beneficência. Mas só sabemos também, falando dos mais velhos agora, que a Comunidade portuguesa, enfrenta problemas e desafios. Temos prestado apoio a quem passa privações. Uma das ideias que surgiu, foi a ajuda da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Entrámos em contacto com a Santa Casa da Misericórdia e muito provavelmente durante este mês ou no próximo deverá vir cá uma equipa técnica para se informarem e procurarem dar apoio técnico às instituições de solidariedade social da Comunidade portuguesa. São dois exemplos, estes, do ir estudar em Portugal e o contacto com a Santa Casa, em como a Embaixada procura apoiar a Comunidade com coisas concretas e ir ao encontro das necessidades que aqui detectamos.”

 Terminou com um “viva Portugal”.

 Os jovens artistas portugueses voltaram a cantar e depois, o compadre Eduardo Soares da Academia do Bacalhau de Maputo também interpretou um tema.

 Cortou-se o bolo de aniversário e a noite foi concluída ao som de música e com dança.