Academia de Joanesburgo presta homenagem a Durval Marques

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Academia de Joanesburgo presta homenagem a Durval Marques

O fundador do movimento das Academias do Bacalhau e presidente honorário de todas as tertúlias, dr. Durval Marques, foi homenageado pela Academia-Mãe no convívio semanal da passada quinta-feira, realizado no restaurante Adega, em Bedfordview, com a presença de cerca de 70 compadres e comadres.

 Durval Marques deslocou-se a Joanesburgo, cidade onde residiu durante quatro décadas, depois de ter participado nas comemorações do 25.º aniversário da Academia do Bacalhau de Maputo, fundada em 1991 na capital moçambicana como a 15.ª das 57 agora existentes.

 Embora todos na condição de compadres e comadres da Academia, participaram na confraternização o embaixador de Portugal na África do Sul, cônsul-geral em Joanesburgo, comendadores, membros do Conselho das Comunidades Portuguesas, presidente do Board of Trustees e membros da Direcção da Sociedade Portuguesa de Beneficência., directores da Câmara de Comércio Portuguesa na África do Sul, presidente da Federação das Colectividades Portuguesas na África do Sul, presidentes da Assembleia Geral e da Direcção da União Portuguesa, presidente e vice-presidente da Academia da Ferrugem, dirigentes do Departamento de Ciclismo do Luso-Africa, antigos presidentes da Academia-Mãe e ex-presidentes da SPB, presidente da Academia da Beira e vice-presidente da Academia de Maputo, compadres honorários e representantes da comunicação social.

 Com voz de quem sabe de Cante Alentejano, o presidente da Academia do Bacalhau, José Contente, abriu o almoço tendo, logo após a entoação do tradicional gavião de penacho, dado a palavra ao homenageado.

 Iniciador em Junho de 1968 em Joanesburgo de um movimento animado pelo espírito de solidariedade social que hoje se estende a 57 cidades em todo o mundo, Durval Mar-ques salientou que “o importante é continuarmos juntos e em comunhão” e que isso, como estava a acontecer naquele dia, “é admirável”.

 Recordou que o gavião de penacho, que a Academia do Bacalhau adoptou como o seu cântico, nasceu de uma visita de estudantes da Universidade do Porto nos anos 60 a África da qual fez parte e que o cantavam com frequência.

 Durval Marques agradeceu a presença do embaixador, com o qual já tinha tido na véspera um almoço em privado, e recordou os convívios quando Ricoca Freire fora cônsul-geral em Joanesburgo, altura em que adoptou a Academia como a sua segunda família.

 O presidente honorário das Academias agradeceu igualmente a presença da comadre cônsul-geral tendo afirmado, perante a concordância generalizada e aplaudida dos participantes no almoço, que “é sempre bom termos pessoas bonitas na nossa comunidade”.

 Durval Marques confessou depois a sua enorme alegria pela magnífica obra que viu durante a visita que efectuou ao Lar da Sociedade de Beneficência em Albertskroon, acompanhado por José Contente e Adriano Leão. “Está ali uma obra admirável e onde, acima de tudo, há calor humano, com os idosos muito bem tratados, sorridentes e satisfeitos”, disse o também fundador da SPB.

 “Estão de parabéns todos os compadres que contribuíram para aquela casa e da qual nos devemos orgulhar” – afirmou, destacando as obras do bairro residencial e da nova enfermaria.

 “Levo-os a todos no meu coração” – disse Durval, ao concluir o seu improviso.

 O presidente da Academia-Mãe pediu depois que fosse entoado um gavião de penacho em honra de Durval Marques.

 José Contente apelou a que todos vivessem com intensidade o convívio daquele dia, “que não voltaria a repetir-se em virtude de dentro de meses já não contarmos com a presença do compadre embaixador e da comadre cônsul-geral que estão a concluir as suas missões de serviço na África do Sul”.

 Por impedimento da presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência, Isabel Policarpo, que enviou a sua mensagem ao homenageado, falou em nome da Direcção o seu vice-presidente, comendador Ivo de Sousa, que agradeceu as palavras do dr. Durval Marques relativamente à instituição e a todos aqueles que a têm apoiado.

 Ivo de Sousa salientou as boas relações existentes entre a Academia do Bacalhau, da qual também é vice-presidente, e o Lar de Idosos da Sociedade Portuguesa de Be-neficência. “Trabalhamos em conjunto” – disse o orador, com o desejo de que “Deus ajude toda a gente”.

 As suas palavras seguintes foram para felicitar o presidente honorário da Academia do Bacalhau de Joanesburgo, Adriano Leão, e o comendador Salvador Pais Pereira, o mais recente benfeitor da SPB, pela comemoração recente dos seus aniversários, dos quais teve conhecimento através do jornal.

 Frequentador das Academias de Braga e de Lisboa, quando se encontra de férias em Portugal, Ivo de Sousa disse ser testemunha da popularidade do nome de Durval Marques no seio das Academias, onde o seu nome continua a ser falado.

 O orador seguinte foi o comendador Gilberto Martins, presidente do Board of Trustees da Sociedade Portuguesa de Beneficência, que classificou aquele convívio em honra de Durval Marques de “muito importante” para a instituição que representa.

 Atribuindo ao homenageado o lançamento da raiz da Academia e da Beneficência, Gil-berto Martins disse que “quando a raiz é forte, e ela foi forte, a árvore cresce e chega ao topo”.

 O presidente do Board of Trustees da Beneficência rea-firmou que a obra do Lar deve-se a todos e que a instituição “é da comunidade para a comunidade”, numa alusão à actual transparência em que vive a SPB, que já passou por tempos em que parecia ser um feudo dos seus directores.

 “É fácil ser presidente do Board of Trustees quando temos ajudas e a prova disso são os melhoramentos feitos para os residentes que lá estão e que ali vivem sorridentes” – disse Gilberto Martins, acrescentando que “aquela grande obra vai continuar porque as raízes são boas”.

 Terminou a sua intervenção com agradecimentos e um convite, em nome dos residentes, aos compadres e comadres para que visitem o Lar da Beneficência sempre que possam.

 Numa referência feita por José Contente de que “ama-nhã somos capazes de lá estar todos”, aplausos foram depois para os dois residentes do Lar da SPB que se encontravam no convívio da Academia do Bacalhau – Cordeiro e Leonel Canha, que enquanto compadre da Academia de Welkom foi autor da letra daquela que é hoje a Marcha da Academia.

 Na sequência das intervenções, António David, vice-presidente da Academia de Maputo e regressado por uns dias à cidade onde anteriormente viveu, quis agradecer aos compadres e comadres de Joanesburgo que se deslocaram à capital moçambicana para celebrar as bodas de prata daquela tertúlia e igualmente a Durval Marques, que viajou do Porto até Moçambique para estar na festa que repetia o espírito daquela em que também estivera há 25 anos. Palavras de agradecimento foram também dirigidas a Adriano Leão, que apadrinhou a fundação da Academia de Maputo, e a José Contente, portador da lembrança, ao Século de Joanesburgo e ao seu director, Varela Afonso, por ter sido possível, com a sua colaboração, enriquecer os arquivos da tertúlia de Maputo com uma cópia da edição do jornal, publicada a 22 de Abril de 1991, com a reportagem das cerimónias de abertura da Academia.

 José Contente comentou depois que esta viagem a Moçambique se tratara de mais uma jornada de saudade, replicando que “Maputo tem mais encanto na hora da despedida.”.

 Dirigindo-se a Durval Marques, num dia que apelidou de muito especial para a Academia, a comadre Luisa Fragoso, que até então não conhecia pessoalmente o homenageado, disse tratar-se de uma pessoa de referência de quem já ouvira falar em palestras e convívios e felicitou-o pela sua inspiração na criação da tertúlia, grupo a partir do qual a comunidade se reúne em acções de solidariedade e de companheirismo, preservando por todo o mundo, através da sua globalização, a nossa maneira de estar na vida.

 A cônsul-geral agradeceu a explicação da origem do gavião de penacho e a honra que deve ser para o fundador das Academias a obra que deixa feita, particularmente a Sociedade Portuguesa de Beneficência, o seu Lar de Idosos em Joanesburgo, e as tertúlias espalhadas por 57 cidades em todo o mundo.

 Referindo-se à aproximação do número redondo que representa as Bodas de Ouro da Academia-Mãe, Luisa Fra-goso disse que esse marco significa a vitalidade desta comunidade que se reconhece nesta sociedade.

 Dando seguimento à cerimónia, o presidente José Contente elogiou a comadre Luisa Fragoso como “uma grande defensora da nossa causa e que deixa o seu nome ligado à fundação da Academia do Bacalhau de Nelspruit, da qual é madrinha”, num projecto de-senvolvido e concluído durante a presidência de Manuel Sampaio.

 Assumindo-se, sempre que está presente nos convívios, como membro da Academia-Mãe, o embaixador António Ricoca Freire recordou que é compadre desde 2003, “portanto, há 13 anos, e com uma antiguidade a uma grande distância da maior parte de vocês”.

 Também disse que “pela pri-meira vez, em quatro anos de embaixador, vejo juntos todos aqueles que me ensinaram o que é a Academia  e a amar a Academia do Bacalhau”.

 “Vejo hoje aqueles que não via há muito nesta casa e ou-tros que não vêm tantas ve-zes” – salientou Ricoca Freire.

 O orador destacou as instituições que, embora transitórias por dependerem da nossa condição humana, perduram para além do tempo, adiantando que as Academias, prestes a celebrarem 50 anos, vão estar vivas mais 50 anos. Para Ricoca Freire, as Aca-demias não são conquistas rápidas conseguidas através de divulgação no facebook e nas redes sociais, mas fruto consolidado de trabalho feito ao longo de anos.

 Depois de se referir a “muito trabalho e muito sucesso” nas Academias, o embaixador apelou “à valorização das conquistas e à necessidade de haver uma projecção nos desafios de amanhã”.

 “Vamos manter esta unidade que aqui vemos hoje, porque um dia, quando eu sair da África do Sul, gostaria de ter uma mesa como esta na minha despedida” – referiu Ricoca Freire, dele ajuizando “embora não o mereça como merece o compadre Durval Marques”.

 O embaixador concluíu a sua intervenção pedindo um gavião de penacho em honra “da Academia do Bacalhau de ontem, de hoje e de amanhã”.

 Jorge Simons, que é compadre da Academia do Bacalhau desde 1976, quando nela ingressou apadrinhado por Horácio Roque, disse que se as Academias do Bacalhau tivessem nome a de Joanesburgo deveria designar-se Academia Durval Marques, por aquilo que o compadre fundador fez pelas Academias em todo o mundo.

 Tema a merecer várias intervenções foi o da publicação de um livro que historie a vida das Academias e a estar concluído por ocasião das Bodas de Ouro da primeira tertúlia, para ser distribuído durante o Congresso Mundial previsto para 2018 em Joanesburgo.

 Manuel Arede foi o primeiro a  lançar o desafio e Raul Martins secundou-o, sugerindo até o nome do jornalista a quem deveria ser confiada essa missão.

 Durval Marques e José Contente esclareceram que o assunto da publicação de um livro para assinalar o cinquentenário tinha sido objecto da agenda do Congresso Regional das Academias do Bacalhau de África, realizado na semana anterior em Maputo, e já havia uma resolução nesse sentido, incluindo espaço de um capítulo para cada Academia e uma carta formulando um convite para a sua redacção.

 O compadre Ricoca Freire quis dar o seu parecer tendo adiantado que a feitura do livro deveria ser entregue a uma comissão de redacção para que, na sua opinião, a obra não reflectisse uma visão individual. E houve logo quem comentasse que se um dia a Academia abrisse, eventualmente, uma tertúlia em Roma, talvez a história do Bacalhau viesse a ganhar mais um redactor…

 Benfeitor da Sociedade Portuguesa de Beneficência desde os primeiros tempos da sua fundação e o mais recente doador do Lar de Idosos da SPB, para cujas obras de melhoramento contribuíu este mês com 200.000 randes, o comendador Salvador Pais Pereira foi o último orador da tarde para manifestar a sua grande admiração tanto pelo percurso da Academia do Bacalhau, desde os tempos em que os convívios se realizavam no Restaurante Chave d’ Ouro, como pela actividade da Beneficência, nomeadamente o trabalho de-senvolvido pelo Lar Rainha Santa Isabel, cujas instalações prometeu visitar em breve. O compadre SP Pereira, que confessou a sua grande sensibilidade pelos problemas e necessidades que afectam as crianças e os idosos, mostrou-se disposto a prosseguir com o seu auxílio, tendo as suas palavras sido muito aplaudidas.

 Antes, dirigindo-se ao homenageado que vive na casa dos 80, havia dito: “Amigo Durval Marques, gosto muito de vê-lo com saúde”.

 Neste convívio, Victor António Martins Garrana e Arnaldo Esteves Gonçalves obtiveram oficialmente o estatuto de compadres da Academia-Mãe, recebendo o respectivo Diploma das mãos do presidente da tertúlia, José Contente.

 Precedendo o exercício da sua função de carrasco, na aplicação de multas aos penalizados por prevaricações cometidas, o compadre António Rebelo, antigo presidente da Academia-Mãe, secundou a apreciação de Durval Marques sobre a beleza da comadre Luisa Fragoso, e elogiou a determinação do presidente honorário das Academias na defesa intransigente de Joanesburgo como a Academia-Mãe quando outras tertúlias lhe pretendiam disputar a liderança.

 Animado pelo sucesso do convívio e pelo elevado número de participantes nesta homenagem a Durval Marques, o compadre Adriano Leão, num último agradedcimento, afirmou o seu orgulho “em ser presidente honorário desta Academia, de um grupo que nunca faltou à chamada e que mais uma vez demonstrou a sua unidade e o seu calor humano”.

 O almoço encerrou com a entoação da Marcha da Academia e com o tradicional gavião de penacho.