A segunda vida do central Ricardo Carvalho na Selecção Nacional de Futebol de Portugal

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A segunda vida do central Ricardo Carvalho na Selecção Nacional de Futebol de Portugal

Nascido em Amarante, no ano de 1978, Ricardo Carvalho estreou-se pela Selecção de Portugal num jogo amigável contra a Albânia, no Estádio do Restelo, em 2003. E ao longo destes anos já somou 77 internacionalizações. Em jogos oficiais com a camisola das quinas, Ricardo Carvalho soma 50 internacionalizações e todas elas na condição de titular.

 Depois de um período de paragem face a um desentendimento com o anterior seleccionador nacional, Ricardo Carvalho regressou à equipa e jogou em França e na Dinamarca. As suas exibições foram elogiadas. Jorge Andrade, antigo parceiro de Carvalho no FC Porto e na selecção, explicou como viu as exibições do “amigo Ricardo”.

 “Pelo que tem feito no Mónaco não me surpreende a forma como que se apresentou ao serviço da nossa selecção. O Ricardo é um jogador que não joga mal. Fez bons jogos, esteve seguro e tranquilo”, começou por dizer Jorge Andrade.

 Ricardo Carvalho tem 77 internacionalizações. 50 dessas foram em jogos oficiais e todas na condição de titular

 Mas, afinal, o que trouxe Ricardo Carvalho ao grupo de Fernando Santos e ao eixo defensivo.

 “Ele é uma pessoa que conhece o grupo, é um exemplo e visto como uma referência.

 E a nossa selecção precisa de referências como o Ricardo quer jogando ou não. Os jogadores mais novos que são chamados à selecção olham para Ricardo e têm nele uma referência e isso é importante para o grupo”.

 Aos 36 anos, Ricardo Carvalho já não é um jovem no mundo da bola mas Jorge Andrade, seu antigo companheiro de sector e amigo de longa data, crê que naquela posição “a idade é um posto”.

 “Um central tem que ter, acima de tudo, inteligência táctica e não propriamente vi-gor físico. Claro que se se aliar os dois é bom mas, por exemplo, os centrais mais no-vos, às vezes, conseguem tapar as suas falhas com rapidez mas depois falta inteligência táctica, aquela que o Ricardo tem como poucos”, destacou Jorge Andrade que acredita que o defesa ainda terá pela frente alguns anos no mundo do futebol.

Jorge Andrade: “O Ricardo é um central que tem inteligência táctica”.

 “Podemos ainda ter o Ricardo durante vários anos. Ele pode jogar até perto dos 40 anos ao nível de clubes. Quando joguei no Estrela da Amadora alinhava lá o Rebelo que tinha, salvo erro, 40 anos”, disse.

 E a Selecção? “Não sei mas creio que ele irá fazer parte do grupo até ao Euro. Não é caso raro”, sublinhou.

 Ricardo Carvalho, em declarações ao sítio oficial do Mónaco, quarta-feira, alinhou pela mesma opinião de Jorge Andrade.

 “Já conhecia toda a gente: os jogadores, o treinador, o presidente da Federação. O grupo acolheu-me bem. Com 80 internacionalizações não foi preciso grandes conversas (risos). Se a Selecção precisa de mim estou disposto a ajudar”.

 Ricardo Carvalho é o central mais velho a usar a camisola das quinas

 Ricardo Carvalho é o central que alinhou com mais idade com as quinas ao peito – 36 anos. Só Manuel Passos (Sporting) e Fernando Couto ficaram perto desta marca.

 Passos alinhou pela última vez com a camisola de Por-tugal, num amigável contra a França, que a turma lusa perdeu por uma bola a zero.

 Manuel Passos tinha 34 anos, 11 meses e 27 dias no duelo que aconteceu a 24 de Março de 1957.

 Couto (que foi rendido na Selecção por Ricardo Carva-lho), por seu lado, tinha 34 anos, 10 meses e 29 dias quando entrou em campo pe-la última vez ao serviço de Portugal.

 O encontrou decorreu no Euro 2004 contra a Holanda, a 30 de Junho de 2004.

 Vindo de uma família humilde de Amarante, Ricardo Carva-lho faz da tranquilidade uma "arma" na vida e no futebol. Aliás, sempre assim fo

 “Venci muitas etapas. Saí de Amarante aos 15 anos directamente para o FC Porto.

 Cresci lá muito como pessoa, como jogador. Mas custou-me muito”. Assim se resumiu Ricardo Carvalho, em declarações à Informação.

 Se Jorge Andrade lhe antevê “longa vida” no mundo da bola, José Mourinho – técnico que ao longo dos anos acompanhou Ricardo Carvalho no FC Porto, no Chelsea e no Real Madrid – chegou mesmo no passado a recorrer a uma expressão popular portuguesa para comparar o central ao Vinho do Porto: “O Ricardo é como o vinho do Porto. Está melhor aos 32 do que aos 22”, dizia o “Special One”, em declarações à Real Madrid TV, em 2011.

 É, pois, com tranquilidade que Ricardo Carvalho cami-nha nesta sua "nova vida" ao serviço da Selecção Nacional.