A Liga da Mulher Portuguesa, idealizada por Manuela Rosa, foi fundada há 21 anos em Pretória

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A Liga da Mulher Portuguesa

A Liga da Mulher PortuguesaEm Dezembro de 1988, um grupo de vinte e três senhoras da nossa comunidade, numa iniciativa de Manuela Rosa e sob sua orientação, reuniram-se em Pretória com o intuito de ser formada uma organização de carácter cultural e social que intitularam de Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul.

Com essa finalidade foi formada uma comissão de planeamento e coordenação, e num trabalho conjunto estruturaram-se as directrizes que haviam de orientar a Liga, assim como se elaboraram os estatutos por que se havia de reger, em que ao lado de Manuela Rosa trabalharam nessa comissão, a dra. Elizabete Soares como secretária e que muito se empenhou neste projecto, Lídia Faria, Goretti de Aveiro, Lúcia Bernardino, Lídia Ponte, Margarida Oliveira, Maria João Cunha, e a advogada Eulália Salgado, esta última na orientação dos estatutos.

  A primeira reunião feita por esta Liga, no dia 20 de Maio de 1989, teve lugar no Boulevard Hotel, em Pretória, nela marcando presença cerca de duzentas e trinta senhoras, não só desta cidade, como de Joanesburgo e de outras localidades deste país, daí se depreendendo à partida, o interesse feminino por esta recém criada instituição, disso sendo prova as que periodicamente se seguiram, onde sempre foram debatidos assuntos de muito interesse nos diversos âmbitos em que a mulher se envolvia, e bem de acordo ao seu lema, tendo em vista a sua contribuição para um mundo melhor, e para tal apostada no enriquecimento cultural à sua valorização, dignificação e progresso, através de novos conhecimentos.

  Apostadas na defesa da língua e cultura portuguesa, tinham como alvo cultivar e aprofundar o orgulho que sentiam na história, literatura e na arte portuguesa, dando à mulher o seu espaço cultural, incentivando-a a aprender e cultivar os seus conhecimentos, atendendo a que quanto mais esclarecida, mais válida se tornava à família e à sociedade.

  A união nestes ideais de inter-ajuda é sempre essencial para a partilha voluntária de conhecimentos, assim como o intercâmbio com outras comunidades, num manancial  de saberes, e muito benéfico aos objectivos em vista, fundamentados na defesa e apoio à mulher, seus filhos e suas famílias.

  Em 1990 foi eleita a primeira direcção do executivo nacional da Liga, tendo como presidente Manuela Rosa, Lídia Faria vice-presidente, Goretti e Verónica de Aveiro tesoureiras, Valentina Gouveia, Irene Gouveia, e as saudosas Maria Emília Rodrigues e Dina Araújo como secretárias, fundaram-se no ano seguinte as filiais de Durban com Júlia de Sousa a gerir os seus destinos, a da cidade do Cabo presidida por Lígia Fernandes, e a de Rustenburg liderada por Gina Dias, enquanto Pretória e Joanesburgo formavam o executivo nacional da Liga, com sede na capital sul-africana.

  Em 1994 era realizado o primeiro congresso da Liga, na cidade jacaranda, onde foi aprovada a formação das filiais de Pretória e Joanesburgo, isto devido aos problemas de insegurança dificultarem a deslocação das senhoras de uma e outra cidade, já que até aqui as reuniões eram alternadas numa e outra localidade, sempre bastante concorridas e com assinalado sucesso, vindo na filial de Joanesburgo a ser eleita presidente Valentina Gouveia, que desde a fundação e expansão da Liga teve sempre um papel importantíssimo em trabalhos e palestras de grande valor, seguindo-lhe na direcção Mimi Jardim e Eli-zabeth Silva.

  Na filial de Pretoria foram até hoje presidentes Manuela Rosa, funções que volta a desempenhar na actualidade, Marinela do Carmo, Cândida Piedade e Manuela Calado, enquanto o executivo nacional depois de Manuela Rosa e Mimi Jardim, é esse órgão presentemente liderado por Valentina Gouveia.
  Com Tânia Correia a dirigir o grupo de jovens e a organizar eventos de muito interesse, foi durante vários anos publicada a revista “A Mulher e o Mundo” de carácter cultural na apresentação de interessantes resumos dos múltiplos trabalhos e eventos realizados nas diferentes filiais espalhadas pela África do Sul.

  Têm sido várias as personalidades a apresentar trabalhos de valor nos vários convívios organizados por esta instituição feminina, desde a dra. Maria Coccia Portugal, para em oncologia se pronunciar sobre as possibilidades de prevenir e diminuir a incidência do cancro; as advogadas Eulália Salgado e Elizabete Serrão em temas judiciais; passando por Isabel Marques Correia em causas genéticas, e Maria Ribeiro sobre problemas de alimentação, e acabar na grande historiadora Liv Câmara, que durante os anos que aqui permaneceu com seu marido, dr. Brito Câmara, este nas funções de Cônsul Geral de Portugal, em Joanesburgo, se revelou extraordinária no apoio incondicional a esta Liga da Mulher Portuguesa.