A história dos Portugueses sobreviventes do naufrágio “Geo Searcher”

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Decorre o processo de investigação pela companhia seguradora, das possíveis causas que levou ao naufrágio do navio de pesca “Geo Searcher”  no arquipélago de Tristão da Cunha.

  O drama começou no dia 15 de Outubro pelas 8h00 da manhã.

  De acordo com o testemunho de alguns  tripulantes portugueses que então se encontravam a bordo, o navio de 69 metros, com 62 tripulantes a bordo, bateu com o casco numa rocha submersa nas imediações da ilha de Cough onde se encontrava em actividade na pesquisa e processamento de lagosta.

  O chefe de máquinas disse que sentiu duas pancadas no casco e apercebeu-se da entrada de água na sala das máquinas. De imediato  notificou o capitão de que a inundação era de  tal maneira que as bombas de esgoto não lhe davam vazão.

  Entretanto, como o barco começou a inclinar  para estibordo, a tripulação desencadeou o  abandono do navio, servindo-se das  balsas salva-vidas disponíveis a bordo, e também das lanchas de pesca que nessa altura se encontravam na água a recolher as gaiolas (armadilhas) das lagostas.

  “Foi o que nos valeu, senão ficavamos lá todos. Não se safava ninguém”, contou à chegada à Cidade do Cabo um dos sobreviventes.

  De voz tremula, Daniel Silva contou que os cinco portugueses arrearam no bote salva-vidas mas por via de uma manobra mal feita foram todos para a água

  “Andamos a boiar quase meia hora à espera que as lanchas nos recolhessem enquanto o navio se afundava” – acrescentou.

  As lanchas que pescavam na área do acidente, socorreram os naufragos, organizaram-se e criaram uma fila reboque. Levaram cerca de 4 horas com  os  salva-vidas carregados de gente até  chegar ao Crane Point, como é conhecido o local onde está a  estação meteorológica da ilha vulcânica de Cough.

 

* Aventura de bravura e destreza

 

  A estação, dispõe de uma grua de apoio à equipa dos meteorologistas residentes. Foi uma aventura de bravura e destreza esta  manobra  das lanchas para conseguir a aproximação ao cesto da grua  em sincronizado com as ondas do mar que logo ali a poucos metros de distância se estalelavam de encontro às rochas.

  Os sobreviventes puderam assim saltar com al-guma segurança para o cesto da grua que içou dois-a-dois, todos eles, escarpa acima, até ao topo a mais de 40 metros de altura.

  O último sobrevivente valeu-se a si próprio já que teve de manobrar a lancha de marcha a vante e saltar a tempo, abandonando a lancha que logo se despenhou de encontro aos rochedos mais próximos.

  A estação meteorologica recebeu os 62 tripulantes da melhor forma possivel oferendo-lhes uma boa refeição quente e acommodação de emergência.

 

* Apoio popular

 

  Os sobreviventes traziam roupa com que abandonaram o navio que se afundou. Na ilha de Tristão da Cunha os habitante organizaram uma colecta de roupas, calçado e mantimentos para acudir ao desespero destes homens abandonados no meio do oceano Atlântico.

  Em Cape Town as autoridades marítimas

(SAMSA) em coordenação com os armadores do MFV “Geo Searcher”, desencadearam uma mega operação que mobilizou todos os recursos possíveis a bordo do navio SA AGULHAS II que zarpou em pouco menos de 24 horas rumo à ilha de Cough.

  Foram três longos dias para quem esperou até à chegada do SA Agulhas. O vento forte ainda  atrazou ao princípio a evacuação dos 62 tripulantes que foram heli-transportados da ilha para bordo do SA Agulhas II.

 

* Cônsul-geral José Carlos Arsénio entregou passaportes de emergência

 

  A chegada ao Cabo aconteceu na noite de 26 de Outubro, onde, no cais, entre outros, se encontrava o cônsul-geral de Portugal, José Carlos Arsénio, que deu as boas-vindas e fez questão de entregar pessoalmente os passaportes de emergência, uma vez que os documentos originais dos tripulantes portugueses tinham ido para o fundo com o navio.

  Todos os sobreviventes já regressaram para junto das suas famílias,  incluido os cinco portugueses que partilharam esta aventura.

Rui Santos