“A Comunidade Portuguesa na África do Sul contribuiu para a construção e constituição da África do Sul moderna”- Paul Mashatile

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A Comunidade portuguesa na província do Gau-teng, numa iniciativa encabeçada pelo Fórum Português, conseguiu angariar numa iniciativa solidária, cerca de 400 toneladas de bens alimentares para doar a bancos alimentares contra a fome. No Domingo 6 de Setembro, nos terrenos da Christian Family Church na Atlas Road, Benoni juntaram-se algumas pessoas para dar início ao evento e ao movimento de angariação de comida. O “Food Drive” esteve disposto em forma de “U” em que por causa da pandemia de Covid-19, as pessoas poderiam vir de carro e sem sair da viatura sequer, abrir as bagageiras e os voluntários das várias entidades de benefi-cência, retirar os bens e os doadores então seguirem viagem.

  As várias instituições de caridade estavam dispostas em tendas, assinaladas com bandeiras e os nomes das respectivas entidades. O distanciamento social foi estritamente respeitado, o uso de máscaras obrigatório e as leituras das temperaturas corporais foram todas feitas à entrada do recinto. A abrir o evento, os artistas da Portugal The Band entoaram os hinos nacionais de Portugal e da África do Sul.

  Paul Mashatile, tesoureiro-geral do ANC esteve presente no evento e foi o convidado de honra.

  “Em primeiro lugar quero agradecer ao Manny Ferreirinha e à liderança do Fórum Português da África do Sul por nos terem convidado esta manhã. Dá-me grande satisfação juntar-me a todos vós esta manhã ao nos juntarmos para dar uma mão solidária na luta continuada contra a pobreza, fome e necessidade no nosso país. Uma luta agravada pela pandemia de Covid-19. Como todos sabem, o covid-19 continua a destruir vidas e sustento.

  Está a causar a perda de empre-go a muitos, também contribuiu para o agravamento da pobreza e o alargar das desigualdades no nosso país. Em resposta, temos de nos unir através de iniciativas como esta, para ajudar os mais vulneráveis nas nossas comunidades que sofreram mais do que ninguém devido à pandemia. Uma das coisas que esta pandemia nos ensinou é que como Humanidade, estamos interligados e o nosso destino está ligado e que sem os outros, estamos incompletos.

  A pandemia mostrou a importância da solidariedade humana e o significado dos valores de “ubuntu”, que nos ensinam que eu sou porque o outro é.” Mashatile prosseguiu, “o nosso país continua a combater esta pandemia, vimos vários actos aleatórios de caridade por parte de muitos sul-africanos, que ajudaram os que menos têm durante este período difícil.

  O evento de hoje reflecte de várias maneiras quem somos como sul-africanos, um povo caridoso, uma nação que se une em momentos de dificuldade e uma nação imersa nos valores humanitários de “ubuntu”. A essência de quem nós somos como nação, foi definida nas palavras de Nelson Mandela que afirmou ‘a nossa compaixão humana liga-nos, uns aos outros, não em pena ou condescendência, mas como seres humanos que aprenderam a voltar o sofrimento de todos em esperança para o Futuro’.

  O Congresso Nacional Africano aprecia profundamente o papel essencial desempenhado pela Comunidade portuguesa da África do Sul, em promover desenvolvimento social e económico no nosso país. Durante este mês de Setembro, ao celebrarmos o mês da herança, recordamos que a sociedade sul-africana deve as suas origens à fusão de muitas linhas de história e culturas que constituem aquilo que hoje carinhosamente referimos como “Nação Arco-Íris”, unida dentro da nossa diversidade.

  A Comunidade Portuguesa na África do Sul contribuiu para a construção e constituição da África do Sul moderna. De acordo com isso, a vossa herança é parte integrante da herança colectiva sul-africana. Vós, enquanto Comunidade portuguesa, são tão sul-africanos como qualquer um de nós.

  A África do Sul também vos pertence. Neste dia, quero agradecer em particular ao Fórum Português e todos os que contribuíram para esta iniciativa para apoiar os mais pobres e vulneráveis dentro das nossas Comunidades durante este tempo difícil. Saudamos-vos pela vontade que têm em fazer o que vos é possível para ajudar aqueles que continuam sem saber de onde virá a próxima refeição.

  Aplaudimos-vos por decidirem fazer a diferença nas vidas dos pobres e dos vulneráveis. Agradecemos-vos por abraçarem o espírito de “ubuntu”. O voss, é um exemplo digno de repetição. Tomamos esta oportunidade para pedir a todos os sul-africanos para trabalharem em conjunto em esforços para responder à pandemia de covid-19 e para lutar contra a fome, pobreza, necessidades e violência e descriminação de género.

  Precisamos de todos, como país, o nosso governo demonstrou que está preparado a fazer o que for preciso, sem poupar esforços, para salvar vidas e meios de sustento. Actualmente, há esforços para revitalizar a nossa economia e para a colocar num caminho sustentável para crescimento inclusivo. Estamos determinados a construir uma nova economia que não deixa ninguém para trás, especialmente os mais pobres e vulneráveis. Em conclusão, como sul-africanos já provámos em várias ocasiões que conseguimos superar várias dificuldades, mais uma vez, juntos iremos emergir vitoriosos. Muito obrigado”, concluiu Paul Mashatile.

  Manuel Ferreirinha, presidente do Fórum Português, no discurso que fez declarou que além dos danos económicos derivados da pandemia, “os danos sociais são muito mais graves e profundos. Neste país há pessoas a passarem fome sem necessidade e nós, portugueses da África do Sul temos em conjunto com os nossos agricultores, lojas de frutas e vegetais, supermercados e outros meios à nossa disposição a possibilidade de cada um, à sua medida, ajudar quem tem menos”.

  “Temos de pensar nas crianças e nas mulheres, que estão a sofrer e se podermos fazer alguma coisa, assim faremos daí esta brilhante iniciativa”, afirmou.

  “Não posso deixar de agradecer aos nossos agricultores, que trabalham arduamente para nós podermos viver, porque a nossa comida vem de algum lado, da terra. A eles, o nosso eterno obrigado”, conclui Ferreirinha. Cidália Jordão Olivier, presidente da comissão de mulheres do Fórum Português também aludiu à necessidade das mulheres falarem sobre o abuso sexual, violência doméstica e repressão em termos de descriminação de género, problemas também gravemente infligidos nas crianças.

Presentes estiveram o embaixador de Portugal na África do Sul, Manuel de Carvalho e o cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Francisco-Xavier de Meireles. O comendador Gilberto Martins também interveio na abertura do evento bem como Nomadlozi Nkosi, mmc da Saúde e do Desenvolvimento Social de Ekurhuleni.

  No final dos discursos, Paul Mashatile, Manuel Ferreirinha, a mmc da saúde e desenvolvimento social de Ekurhuleni, o embaixador e o cônsul-geral de Portugal e comendador Gilberto Martins e Cidália Jordão Olivier cortaram a fita simbólica para os camiões poderem sair em distribuição dos bens alimentares em direcção a vários bancos alimentares.

  O evento durou o dia todo com actuações do DJ Master KG, actuações de ranchos folclóricos portugueses e música dos artistas comunitários.