A ACP de Pretória continua a festejar as “Fogaceiras” de tradição feirense

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A ACP de Pretória continua a festejar as “Fogaceiras” de tradição feirense

A tradicional festa das “Fogaceiras”, celebrada com grande pompa a 20 de Janeiro de cada ano em Santa Maria da Feira, data respeitada neste concelho como feriado municipal, e implantada na ACP de Pretoria em 1986 pelo grupo de feirenses, Eduardo Pinho, Joaquim Candal e Eduardo Reis, passando a partir daí a fazer parte do calendário anual de eventos da colectividade, voltou ali a ser festejada com relevo e dignidade, no penúltimo domingo, 25 do mês transacto.

 A celebração abriu com um concorrido almoço de convívio tipo “self-service”, contando-se entre os presentes o pároco da igreja de Santa Maria dos portugueses, em Pretória West, Frei Gilberto Teixeira e o seu colega Frei Lameque André Michangula; os comendadores Mário Ferreira e Silvério Silva; Ramiro Sebastião pela representação do Banco BPI em Joanesburgo; a presidente dos Lusíadas, Paula de Castro; Nela Calado em representação da Liga da Mulher Portuguesa; e um bom número de pessoas de Joanesburgo onde se incluíam a família César Silva, este por sinal procedente da freguesia de Fornos, e o ex-presidente do Luso-África, Paulo Estrela, pessoas que não deixaram de colaborar no leilão das “Fogaças”, este ano a bater recordes anteriores, já que ultrapassou em receita os cento e dezoito mil randes.

 As boas-vindas a quantos nessa tarde ali conviviam, estiveram a cargo do presidente da ACPP, Américo Pimentel, com o seu reconhecimento a quem consigo colaborou na organização do evento, destacando nesse prisma o forte empenho do feirense Tony Oliveira em todo o planeamento dos festejos, desde o anúncio publicitário, às despesas com o pão e as fogaças, sem esquecer outras coope-rações como as de Eduardo Oliveira que com sua esposa Cindinha confeccionaram na padaria Napoli, de Maria Do-mingas de Sousa, em Pretória West, todas as “fogaças” para esta festa, tanto as utilizadas no desfile, como outras vendidas ao público, a Carla Ferreira e sua comissão de festas na preparação do salão, onde em decoração sobressaiam o azul e o amarelo, em obediência às cores oficiais do concelho de Santa Maria da Feira; aos pais que trouxeram os filhos para o desfile, a Gerald e Clara Duarte na orientação dos serviços de cozinha, e no fundo a todas as pessoas que de qualquer modo ali deram a sua cooperação.

 Enquanto noutros aposentos contíguos ao salão se preparavam as crianças e jovens para o desfile das fogaceiras, simbolizando todas as freguesias do concelho, conforme indicação na faixa ostentada em cada uma delas, Santa Maria da Feira, Arrifana, Paços de Brandão, Santa Maria de Lamas, Lourosa, Fiães, Souto, Rio Meão, Gião, Vale, Espargo, Mosteiró, Fornos, Guisande, Caldas de S. Jorge, S. João de Ver, Vila Maior, Sanfins, Romariz, Milheirós de Poiares, Mozelos, Travanca, Sanguedo, Nogueira da Regedora, Argoncilhe, Louredo, Lobão, Sampaio de Oleiros, Canedo, Escapães e Pigeiros, cortejo que levou à sua frente a bandeira do Mártir S. Sebastião e a miniatura do castelo da Feira, era por Tony Oliveira descrita em palco a origem das “fogaceiras”, que gentilmente lhe fora enviada dias antes pela dra. Rosário Menezes, do pelouro relações internacionais da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, nestes termos:

 “A Festa das Fogaceiras é uma tradição secular que, em 2005, completou quinhentos anos, marcados perla devoção do povo das Terras de Santa Maria. É a mais emblemática festividade do concelho de Santa Maria da Feira.

 A Festa das Fogaceiras teve origem num voto ao mártir S. Sebastião, em 1505, altura em que a região foi assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de proteção, o povo pro-meteu ao santo a oferta de um pão doce chamado fogaça.

 S. Sebastião, que segundo a lenda padeceu de todos os sofrimentos aquando do seu martírio em nome da fé cristã, tornou-se, assim, o santo padroeiro de todo o condado da Feira.

 No cumprimento do voto, os ofertantes incorporavam-se numa procissão que saía do Paço dos Condes e seguia pela igreja do Convento do Espírito Santo (Lóios), onde eram benzidas as fogaças, divididas em fatias, posteriormente repartidas pelo povo. Assim nasceu a Festa das Fogaceiras.

Cumprida em cada 20 de Janeiro, essa promessa constitui uma referência histórica e cultural para as Terras de Santa Maria.

 A Festa das Fogaceiras chegou até aos nossos dias com dois traços essenciais: a realização da missa solene, com sermão, precedida da bênção das fogaças, celebrada na Igreja Matriz, e a procissão, que sai da Igreja Matriz, percorrendo algumas ruas da cidade.

 Com a proclamação da República, acrescentou-se um novo ritual: a formação de um cortejo, a partir dos Paços do Concelho rumo à Igreja Matriz, antes da missa solene, que integra as meninas “fogaceiras”, que levam as fogaças à cabeça, bem como a autoridades políticas, administrativas, judiciais e militares e personalidades de relevo na vida municipal.

 A procissão festiva realiza-se a meio da tarde e congrega símbolos religiosos, com des-taque para o mártir S. Sebastião, bem como uma representação civil, com símbolos autárquicos, económicos, sociais e culturais de cada uma das 31 freguesias do concelho, numa curiosa mistura entre o civil e o religioso.

 No cortejo e procissão as atenções recaem, naturalmente, sobre as fogaceiras, segundo a tradição “crianças impúberes”, provenientes de todo o concelho, vestidas e calçadas de branco, cintadas com faixas coloridas, que levam à cabeça as fogaças do voto, coroadas de papel de prata de diferentes cores, recortado com perfis do castelo.

 Inicialmente, as “fogaças do voto” eram distribuídas pela população em geral, depois pelos pobres e mais tarde pelos presos, pobres e personalidades concelhias, em fatias chamadas “mandados”. Actualmente, são entregues às autoridades religiosas, políticas e militares que têm jurisdição sobre o município de Santa Maria da Feira”.      

 Segundo Tony Oliveira, que desde que se radicou em Pretória, sempre tem colaborado activamente nesta festa das “fogaceiras”, realizadas em cada ano no salão nobre da ACPP, aproveitando para agradecer a Manuel José, ao actual e todos os ex-presidentes desta Associação da Comunidade Portuguesa de Pretória, a colaboração dada nos sucessivos anos a este evento feirense, informando a terminar com algum regozijo, a promessa do presidente da Câmara Municipal da Feira, Emílio Sousa, em vir assistir no próximo ano, ao 30º aniversário do lançamento destes festejos, iniciados na cida-de de Pretória em 1986, aproveitando para informar por outro lado, ter sido através da responsável pelas relações internacionais desse mesmo município feirense, Rosário Menezes, que em Pretoria foi recebido no ano transacto, a miniatura do castelo da Feira, apelando à união de todos os feirenses em torno desta grande festa, em anos vindouros.

 Interessante nesta festa das fogaceiras, o leilão de fogaças feito em palco pelo presidente da assembleia-geral, Manuel José – que se mostrou radiante pela presença da juventude nestes festejos, o mes-mo acontecendo com os jovens futebolistas que em diferentes escalões se preparam com afinco no campo da colectividade, para a nova época, tudo isto a fazer lembrar os bons tempos em actividades na ACPP -, e pelo presidente da direcção desta mesma agremiação, Américo Pimentel, a ultrapassar em receita todos os anos anteriores, onde a mais rentosa foi a de Lourosa, adquirida pelo comendador Mário Ferreira por quarenta mil randes, seguindo-se a de Santa Maria da Feira arrematada por Tony Oliveira por quinze mil; a de Nogueira da Regedora por Américo Pimentel por sete mil; a de Fiães por Paulo Ferreira por cinco mil; a de Santa Maria de Lamas, também por Mário Ferreira, e a de Sanguedo por Fernando Silva por quatro mil cada; várias outras por três mil, dois mil e mil randes.

 A música para estes festejos, a conhecerem a alegria e o sucesso, esteve a cargo do conjunto “Tona” dos irmãos Nando e Tony Leitão, com o baile a encerrar o evento em animação, numa tarde onde tudo correu pelo melhor, sendo ali anunciada por Américo Pimentel, o “Valentine’s Day” para 14 de Fevereiro, nesta ACPP a que preside.