“59 estrangeiros estudam Português na Wits/Instituto Camões”

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59 estrangeiros estudam Português na Wits/Instituto Camões

59 estrangeiros estudam Português na Wits/Instituto CamõesCinquenta e nove alunos estrangeiros estudam Português na Universidade de Witwatersrand – declarou à Reportagem do “Século de Joanesburgo” a dra. Ana Rocha, chefe do Departamento de Estudos Portugueses no Instituto Camões. “Lecciono apenas a vertente de português para estrangeiros dado que, de momento, ainda não oferecemos Licenciaturas em Português.

Tenho actualmente 3 turmas de português (uma de nível intermédio I com 33 alunos, outra de nível intermédio II com 20 alunos e outra de nível avançado com 6 alunos. Tenho igualmente ou-tras turmas mais pequenas de alunos particulares (em horário nocturno, a partir das 18 horas, nomeadamente 4 alunos às segundas-feiras, 2 às terças e quintas, 3 às quartas e 1 aluno à sexta-feira”.
 Regista-se que o Centro de Língua Portuguesa funciona na Wits, em Joanes-burgo, sob um Acordo de Colaboração entre a Universidade de Witwatersrand e o Instituto Camões (www.institutocamoes.pt), estando localizado na Escola de Literatura e Estudos de Línguas, no Senat House, Sala SH 3026, 1 Jorisen Street, em Braamfontein.

 O Centro de Língua Portuguesa proporciona aos estudantes que o frequentam as seguintes facilidades:
* espaço polivalente e uma área para consultas e pesquisa
* biblioteca, materiais audiovisuais e multimedia
* actividades que ajudarão a promover a Língua Portuguesa e as culturas de todos os oito países lusófonos
* bolsas de estudo para prosseguir formação académica no estrangeiro.

 Assinala-se que é significativo o potencial da aplicação do Português em África. Além dos Palops (países africanos de língua oficial portuguesa – Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe) existe uma crescente solicitação do ensino de Português em países que integram a África Austral, particularmente África do Sul, Namíbia, Botswana e Zimbabwé. Idêntica tendência está a observar-se em vários países da União Monetária e Económica da África Ocidental bem como da Comunidade Económica da África Ocidental, incluindo Senegal, Costa do Marfim e Gabão.
 Note-se que o espaço universal de língua portuguesa engloba também Portugal, Brasil, Timor-Leste, Macau, algumas partes da India, havendo a frisar as candidaturas de Marrocos, Ucrânia e Suazilândia, para além dos observadores associados na CPLP, que são a Guiné Equatorial, Senegal e as Ilhas Maurícias.

  Para os leitores interessados, eis os contactos do Centro de Língua Portuguesa na Universidade da Wits: telefone 011 717 4246; e faxsmile 011 717 4249; telemóvel 083 302 7446; endereço Portuguese School of Literature and Language Studies, Private Bag 3, Wits, 2050; e correio electrónico
www.languages.wits.ac.za

DE ÁGUEDA À RSA VIA MOÇAMBIQUE

 Ana Maria Galhano Rocha nasceu a 10 de Maio de 1961 em Águeda, Portugal. Casada com Vítor Rocha tem dois filhos Paulo e Dário Rocha.
 “Vivi em Moçambique 11 anos (de 1964 a 1975) onde completei o 3.º do secundário (Liceu António Enes, em Lourenço Marques). Vim para a África do Sul em 1975 e aqui completei o 12.º ano em português (Colégio Verney) e inglês (Forest High Scho-ol), em Joanesburgo.
 Tirei o Bacharelato em Português, Francês e Italiano.

 Completei a Licenciatura em Língua e Literatura Portuguesas, tendo a tese sido Marxismo e Estética na obra “Capitães de Areia” de Jorge Amado.
 Iniciei o Mestrado em Literatura Portuguesa (Tese: A poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen).
 O ensino terciário foi iniciado e concluído na Univer-sidade de Witwatersrand (vulgo Wits) em Joanesburgo.
 Tenho também o diploma de Tradutora Ajuramentada (emitido pelo Supremo Tribunal de Joanesburgo)”.
 A dra. Ana Rocha passou 6 anos em Portugal (de 1989 a 1996), onde profissionalmente foi jornalista do “Diário de Aveiro”, formadora/tradutora (técnicas de interpretação) e professora (aulas particulares).

 Solicitada a pronunciar-se sobre a sua carreira docente, referiu que “lecciono na África do Sul desde 1985 (exceptuando o interregno de 6 anos em Por-tugal), tendo passado por várias instituições académicas (Colégio Verney, St Mary’s School, Wits, etc.). Durante vários anos dediquei-me exclusivamente a aulas particulares (cursos de aperfeiçoamento) e ao ensino de português “empresarial” (para ho-mens de negócios). Neste último sector dei aulas a vários grupos do Standard Bank, Investec Bank, Fiat, Nações Unidas, Oxfam America, Absa Bank, Mis-são Diplomática da Áustria, Consulado do México, Rand Merchant Bank”.
 Actualmente a dra. Ana Rocha chefia o Departamento de Estudos Portu-gueses no Instituto Camões na Universidade da Wits.
 O Centro de Língua Portuguesa (Instituto Camões) está aberto a todos os interessados (não apenas aos estudantes de português) para visitas de esclarecimento, consulta, leitura, etc.

 A dra. Ana Rocha acrescentou que “como tradutora (sempre que o tempo me permite) tenho feito bastantes trabalhos para ONG (Organizações Não-Governamentais), Departamento do Interior Sul-Africano (“Home Affairs”), Bancos e inúmeros particulares.
 Adoro escrever, particularmente poesia, tendo já tido vários trabalhos premiados. Em 2005 recebi o Prémio Camões do concurso Alma Lusófona – o primeiro prémio em prosa com o conto “A Velhinha” e o segundo prémio em poesia com “Maria Saudade”, ambos estão publicados.
 O meu poema “Voar” serviu de letra a uma canção do maestro Jorge Brandão.

 Nos tempos livres dedico-me à leitura e à dança (fiz dança do ventre durante 1 ano). Actuamente estou a reler “Os Lusíadas”, de Luís de Camões e “Estórias Abensonhadas” do escritor moçambicano Mia Couto (que é um dos meus autores favoritos, além de Gabriel Garcia Marquez, Milan Kundera e o brasileiro Paulo Coelho)”.