50 Anos da APF de Vanderbijlpark

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50 Anos da APF de Vanderbijlpark

No dia 13 de Março de 2015 a Associação Portuguesa de Futebol Cultura e Recreio (APF) comemorará 50 anos de existência. Fundada no mesmo dia no ano de 1965, O Século de Joanesburgo faz agora um apanhado do historial desta colectividade, como antevisão das comemorações.

 A fundação foi a 13 de Março de 1965, numa primeira reunião que teve lugar num apartamento de um prédio chamado Del Rio, em Vanderbijlpark. Partiu da iniciativa de um grupo de jovens, entre os 20 e os 25 anos, que queria jogar futebol nas ligas e campeonatos sul-africanos e possuir um local seu. Onde pudessem treinar e praticar desporto, bem como, um local onde a cultura Portuguesa imperasse e fosse o cunho identificativo. No entanto, os estatutos fundadores só em Outubro de 1968 é que foram aprovados, porque inicialmente o grupo que levou a cabo aquela primeira reunião não tinha experiência nem os conhecimentos dos trâmites e legislações da vida associativa e dos procedimentos necessários a fim de fundar uma associação. E as-sim, nasceu a APF.

 O Clube em si passou por várias instalações até se radicar nas actuais. Do apartamento onde teve lugar aquela primeira reunião, a sede do clube passou para uma casa de uma Igreja Católica. Mais tarde, dali partiu para um primeiro andar por cima do Bank of Lisbon no Civic Centre da altura, o centro da cidade, onde havia uma grande concentração de portugueses e local onde a Comunidade Portuguesa tinha mais propensão. Para o lugar onde hoje se encontra a APF, foi em 1975, que a sede se mudou para um carinhosamente apelidado “barracão” nos terrenos onde estão as instalações maiores. Para o formato e tamanho destas, foi em 1985, que se deu a transferência após a construção, em 1984, do en-tão “…maior pavilhão coberto português em África” (Séc. edição de 2-7-1984). O terreno então possuía o dobro do tamanho das actuais dimensões. Possuía um campo de futebol do antigo Lusitano e um campo de hóquei em patins. Uma escola portuguesa também fazia parte do prédio, escola essa que está hoje alugada a uma creche. De realçar que, segundo nos revelou Vitorino Graça, essa escola fazia o exame do antigo 7.º ano português e, para tal, enviava os seus alunos à cidade de Joanesburgo. Metade do terreno teve que ser vendido para que o clube se pudesse desfazer de uma dívida ao Bank of Lisbon e na metade de terreno vendida, foi construído um centro comercial.

 

* Ensino do Português

 

 Ana Alfaiate é a actual professora de Português e dá aulas às terças e quintas-feiras. O número de alunos é de cerca de 42, dos quais 19 são adultos e os restantes alunos estão compreendidos entre as idades dos 6 aos 16 anos. Segundo nos afirmou Manuel Fernandes, enquanto houver professores haverá sempre alunos e aulas de Português na APF. Ressalvou que embora se inscrevam alunos todos os anos, muitos são os que acabam por desistir por várias razões.

 

* Sector Económico

 

 Muitos são os portugueses que habitam em Vanderbijlpark e nas zonas circundantes, dos quais vários empresários e industriais são de peso não só para a economia local mas até mesmo para a nacional. Os sectores económicos, como é habitual na Comunidade Portuguesa, são variados. Vão desde a indústria pesada, metalomecânica, transportes, alimentação e restauração e fornecimento de serviços. O sector primário, das matérias-primas como a indústria mineira, também foi e continua a ter hoje ainda uma preponderância na economia local e por consequência na Comunidade Portuguesa residente em Vanderbijlpark.

 Pese embora devido à diminuição da procura por parte de várias indústrias de materiais minerais, o sector ainda tem algum peso nos rendimentos locais e no PIB (Produto Interno Bruto). Há comerciantes que possuem talhos, lojas de venda de bebi-das alcoólicas (garrafeiras/bottle stores), supermercados, oficinas mecânicas, bem como, outras pequenas e médias empresas, as quais geram não só rendimento financeiro, mas também criam postos de trabalho.

 Segundo a opinião de alguns desses empresários, presen-tes no almoço semanal nesta associação, o qual é sempre patrocinado por um empresário português local, os negócios podiam estar melhores, mas também não estão mal. Os vários empreendimentos comerciais conseguiram manter-se estáveis, pese embora a ter que suportar com acrescidas dificuldades devido à inflacção, subida de impostos e ter que fazer face a um panorama económico nacional em franco abrandamento. O sector económico em expansão no Triângulo do Vaal, segundo apurámos neste almoço que tem lugar todas as quartas-feiras, são os supermercados President Hyper, marca detida por gregos.

           

* A Comunidade

 

 A Comunidade Portuguesa em Vanderbiljpark é composta por duas facções: novos e mais antigos no clube. Os novos querem discotecas, bares e outros lugares de diversão nocturna e diurna. Os mais velhos é que frequentam mais o clube. Infelizmente, segundo Manuel Fernandes, os números estão a decrescer mas o que ainda mantém o clube vivo e bastante activo é o desporto. O futebol de salão e o hóquei em patins. O futebol possui também uma equipa feminina.

 Quando o sector mineiro, motor económico da região, foi gravemente afectado pelas condições económicas adversas a nível nacional e global, muitos dos portugueses empregados nas indústrias adjacentes à mineira tiveram que procurar emprego noutros locais da África do Sul.

 A partir de 1994 até aos dias de hoje, a Comunidade diminuiu. Muitos portugueses partiram de regresso a Portugal, embora actualmente alguns tornaram a emigrar para a África do Sul, devido às condições económicas e sociais na República Portuguesa. Na sua maioria, os que voltaram para a África do Sul, são trabalhadores e não detentores de negócios e empresas. Es-ses, os empresários que partiram, não tornaram a voltar.

 

* Perspectivas de Futuro

 

 O clube já passou por muitas dificuldades, de acordo com o que nos confessou Américo Flora. Em Março de 2008, foi formada uma nova Direcção. Nesse ano, foi formada uma Comissão de Melhoramento para levar a cabo melhorias e manutenção do clube até aos dias presentes. Alguns membros ainda estão activos actualmente. O clube é independente e tem uma escritura da propriedade onde se encontra (title dead). Segundo Américo Flora, não é difícil manter o clube, mas é complicado. De acordo com Flora, exige muita dedicação, sacrifício e nas palavras de Vitorino Graça, “carolice”.

 As despesas mensais do clube são de cerca de 42 000 randes, o que perfaz este número são as contas da água, luz, impostos sobre imóveis (rates & taxes), ordenados e a compra de víveres para a cozinha e o bar. Os actuais dirigentes são “obrigados” a manterem-se envolvidos e a gerir o clube, pois não há terceiros ao clube a explorar o bar ou o restaurante das instalações. “É tudo pertença do clube!”, foi afirmado com tom de orgulho nesse facto.

 Américo Flora afirmou que pensa que é um mal que atinge todas as colectividades Portuguesas na África do Sul actualmente, a falta de interesse e de liderança associativa por parte das gerações mais novas. Isto porque, segundo nos assegurou, “as pessoas, principalmente os jovens, não querem envolver-se nem acarretar com as responsabilidades de estar à frente de um clube, mas preferem usufruir das instalações e do que já está feito”. Para Flora, o clube tem que ser administrado como uma empresa, para que não dê prejuízo financeiro e que se não houver empenho e vontade o clube não chega a lado nenhum.

 Os que falaram ao Século de Joanesburgo, atestaram que a manutenção da Associação Portuguesa de Futebol Cultura e Recreio de Vanderbijlpark exige muita dedicação e trabalho, com chamadas telefónicas recebidas muitas vezes a altas horas da madrugada porque o alarme do clube dispara ou porque há problemas que precisam ser resolvidos nas instalações da APF. Terminaram com a ressalva de que “mas quem corre por gosto, não cansa.” 

 O futuro, segundo os dirigentes Vitorino Graça, Américo Flora e Manuel Fernandes, que falaram ao Século de Joanesburgo, é existir alguém que continue com o trabalho levado a cabo até aos dias de hoje e mantenha com “grande vontade” o que está feito. Haver pessoas da Comunidade Portuguesa que façam a APF progredir e a façam prosseguir no caminho que já leva cinquenta anos.

 A APF comemora no domingo, 15 de Março de 2015, com um almoço de gala a começar pelas 12:30 nas instalações do clube, o quinquagésimo aniversário da sua fundação.