5.ª Cimeira Brics em Durban: Criada estrutura permanente “Brics Business Council”

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5.ª Cimeira Brics em Durban: Criada estrutura permanente “Brics Business Council”

A 5.ª Cimeira Brics realizou-se em Durban durante dois dias, tendo sido encerrada na quarta-feira 27 de Março com o anúncio, pelo líder do país anfitrião, Jacob Zuma, da criação do Brics Business Council.

 Brics é a sigla constituída pelas iniciais de Brasil, Rússia, India, China e África do Sul.

 Ora, a 5.ª cimeira das nações Brics ocorre três anos depois da RSA/Republic of South Africa ter sido admitida neste grande espaço de mercados emergentes.

 No discurso de fecho da reunião, Zuma identificou “outras iniciativas em curso, nomeadamente cabos de fibra submarina na extensão de 28.400 kms ligando os países Brics, removendo a dependência destas cinco nações das interligações com países desenvolvidos”.

 O orador enfatisou ainda que “os cinco estão de acordo em obter uma alternativa sustentável de rede seguradora e reseguradora para os países Brics”.

 O chefe de Estado da RSA sublinhou também que “o BBC/Brics Business Council serve como plataforma para reforçar os laços de negócios entre as comunidades económicas dos países membros. Os seus objectivos incluem a interacção de negócios, transferência de tecnologia, cooperação na área de desenvolvimento de aptidões, banca, economia verde, manufacturação e industrialização”.

 Zuma reiterou que o Governo a que preside “está determinado em continuar a empenhar-se com o apoio do empresariado em incentivar para níveis maiores a contribuição da RSA na liderança do investimento juntamente com os parceiros Brics nas oportunidades de negócios no continente África para explorar oportunidades comerciais nas áreas de agricultura, processamento de produtos agrícolas, energia, economia verde, beneficiação mineral, infraestrutura e finanças”.

 Na sua intervenção, o ministro do Comércio da India, Anand Sharma (em representação do primeiro-ministro Manmohan Singh) referiu que após cinco anos problemáticos, o Mundo agora tem de criar 600 milhões de empregos, 20 milhões dos quais foram perdidos, além de 400 milhões novos postos de trabalho.

 A India observou na cimeira que “os nossos países têm largas populações jovens. São sociedades aspirantes, pelo que o desenvolvimento é uma prioridade e um imperativo para todos nós”.

 Sublinhou a importância da permuta de tecnologias, garantindo um fluxo livre de investimentos, promoção de aptidões, treino e encorajamento da capacidade de desenvolvimento”.

 O ministro indiano advertiu para o perigo do protecionismo: “por causa da crise económica global, existe uma tendência em colocar barreiras protectivas à volta dos países”.

 Assinala-se ainda que a África do Sul e a Rússia assinaram um acordo para implementar uma parceria em que passam a controlar os preços de exportação do mercado de platina num sistema tipo Opec.

 Estes dois países detêm 80% de reservas de platina mundial, sendo que a RSA produz 70% da produção planetária de platina enquanto a Rússia manuseia 40% de paládio, um metal do mesmo grupo que é aplicado na indústria para cortar a poluição automóvel. Os Estados Unidos, Zimbabwé e Canadá também produzem estes metais.

 A ministra dos Recursos Minerais da África do Sul, Susan Shabangu declarou em Durban, que “este acordo não visa criar um cartel, mas o que nós pretendemos é influenciar o mercado, acrescentando mais valia com o benefício de preços aos países produtores”.