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Presidente angolano diz que economia do País não parou mas apenas perdeu pujança
31-Out-2016
economico

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, afirmou que o crescimento económico do país não estagnou e que apenas "perdeu a pujança" devido à crise ao mesmo tempo que rejeitou comparações com outros países.

 O chefe de Estado discursava na Assembleia Nacional, em Luanda, sobre o Estado da Nação, durante a sessão solene de abertura da quinta sessão legislativa da III legislatura, a última antes das eleições gerais de 2017, tendo sublinhado o esforço de recuperação da guerra.

 "Foi preciso fazer quase tudo de novo. Desminar, reconstruir, reequipar e reorganizar. Nós não podemos falar do nosso país como se estivéssemos a falar de Portugal, de Cabo Verde, do Senegal ou de outro país qualquer. A nossa história não é igual nem parecida com a dos outros. O nosso povo está consciente desse facto e sabe o porquê e como construir o futuro", afirmou José Eduardo do Santos.

 No anual discurso sobre o Estado da Nação, o Presidente angolano abordou o momento de crise do petróleo, mas relativizando os seus efeitos: "Angola está a lidar com a crise melhor do que outros países. Exemplo disso são a baixa progressiva dos preços dos bens essenciais, da inflação, e a taxa de juros, a recuperação da atividade das empresas e dos níveis do emprego".

"A economia não estagnou, apenas perdeu a pujança com que se vinha desenvolvendo, por causa da crise atual", disse ainda José Eduardo dos Santos.

 Durante a intervenção, a propósito da diversificação da economia, para reduzir o peso das exportações de petróleo, o chefe de Estado recordou que essa "não é uma ideia nova", só que "não havia condições objectivas" no país "para avançarmos mais depressa", recordando os dois milhões de minas implantadas no final do conflito armado, em 2002.

 "Não podíamos construir, sem desminar primeiro. Como é que, nestas condições, podíamos acelerar o desenvolvimento da agricultura familiar ou da agricultura comercial", questionou.

 Sobre a situação económica do país, recordou que, só em 2015, a "quebra brusca" do preço do barril de petróleo tirou a Angola receitas fiscais de quase seis biliões de dólares (5,4 biliões de euros) e que o investimento público em curso só está a ser possível com recurso ao endividamento interno e externo, "so-lução que "tem os seus limites".

 Uma das consequências da crise do petróleo, reconheceu, foi a inflação, que a um ano já está nos 40%, tendo o Presidente angolano traçado o objetivo de reduzir para 1% o crescimento mensal dos preços, contra os actuais 4 a 2% por mês.

 Na intervenção, o chefe de Estado pediu igualmente "maior eficiência e eficácia" dos investimentos públicos, prometendo apertar o cerco à criminalidade económica, como a relacionada com o branqueamento de capitais ou o financiamento do terrorismo.

 "Nós já estamos habituados a lutar contra as diversidades e a ultrapassar os obstáculos", afirmou José Eduardo dos Santos, reservando medidas concretas para a apresentação do Orçamento Geral do Estado de 2017, a apresentar até final do mês à Assembleia Nacional.

 

* Presidente angolano pede transparência para que eleições correspondam à vontade do povo

 

 O  Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, pediu  "lisura e transparência" no processo de preparação das eleições gerais de 2017, para que estas "correspondam de facto à real vontade dos eleitores".

 O chefe de Estado, que em Março deste ano anunciou que se retira da vida política em 2018, discursava na Assembleia Nacional, em Luanda, sobre o Estado da Nação, durante a sessão solene de abertura da quinta sessão legislativa da III legislatura, mas sem comentar o seu futuro político.

 Limitou-se a começar a intervenção recordando que se deslocava ao parlamento angolano para proferir “última mensagem sobre o Estado da Nação [obrigação da Constituição] no mandato, que decorre até 2017".

Trata-se da última sessão legislativa antes das eleições de 2017 e decorreu pela primeira vez no novo edifício-sede da Assembleia Nacional, inaugurado em Novembro de 2015 em Luanda.

 Aludindo aos processos do registo eleitoral, que antecede as eleições gerais e que é contestado pela oposição por serem conduzidos pelo Ministério da Administração do Território e não pela Comissão Nacional Eleitoral, José Eduardo do Santos apelou a que "se pautem pela lisura e pela transparência".

 "Para que essas eleições, a realizar em 2017, expressem e correspondam de facto à real vontade dos eleitores do nosso país", disse.

 Antes, recordou que alguns processos eleitorais em África estão a ser "convertidos" em "viveiros de instabilidade" para o continente, seja "através da contestação directa dos seus resultados, quer através da tentativa de alteração da ordem constitucional", com "consequências imprevisíveis".

 Também por isso, José Eduardo dos Santos justificou o pedido de responsabilidade nos meses que se seguem, até às eleições gerais em Angola.

 "Que cada um, com o seu voto, faça livremente a escolha dos dirigentes que entendem que devem continuar a governar o país, e que não só o Estado mas também os partidos políticos, a sociedade civil, as igrejas e todos os cidadãos assumam com responsabilidade o seu papel, para que o processo seja realmente democrático, livre e decorra com normalidade e de modo exemplar", sublinhou o Presidente angolano, nesta mensagem, lida em cerca de 30 minutos.

 Sem apontar qualquer pista sobre o seu futuro, tendo em conta o anúncio de abandono da vida política, José Eduardo dos Santos limitou-se a recordar que com a realização de novas eleições "novas propostas de candidatos aos mais altos cargos do país vão surgir", permitindo consolidar um processo democrático "que já é irreversível" em Angola.

 "Para que nele surjam e se afirmem aqueles que estejam em melhores condições de conduzir os destinos do nosso país, que eles possam corresponder à expectativa do povo angolano, no sentido de continuarem a ter uma vida cada vez melhor", disse o chefe de Estado.

 

 
             
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