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Portugal vai disponibilizar mais de mil milhões de euros para financiar projectos de desenvolvimento em Moçambique, um deles a ponte para Catembe, em Maputo, um dos maiores dos próximos anos.
O anúncio foi feito na capital moçambicana pelo primeiro- ministro português, José Sócrates, no final de uma conferência sobre energias renováveis, que juntou empresários portugueses e moçambicanos e que culminou com a assinatura de uma dezena de protocolos.
Segundo o primeiro-ministro, que sexta-feira concluiu uma visita de três dias a Moçambique, o banco luso-moçambicano que quarta-feira foi criado vai analisar também o financiamento de projectos como o da construção da central norte da barragem de Cabora Bassa e a “espinha dorsal” de distribuição de energia, que vai ligar o país de norte a sul, dois dos empreendimentos de maior vulto em Moçambique nos próximos anos.
Igualmente de grande envergadura, a ponte para Catembe, do lado sul da baía de Maputo, é um projecto com anos e implica também a construção da estrada para a Ponta do Ouro, uma zona de praias no extremo sul de Moçambique.
A Ascendi, empresa constituída pelos grupos Mota-Engil e Espírito Santo, concorreu à construção da ponte e, em Maputo, António Mota, presidente do Conselho de Administração da Mota-Engil, afirmou-se muito satisfeito com o anúncio do primeiro-ministro de Portugal.
“O anúncio é um passo importante, formaliza a decisão do governo. Temos a melhor proposta e o apoio do governo português”, disse António Mo-ta.
Portugal está ainda disponível para apoiar pequenas centrais eléctricas e fotovoltaicas e de energia hídrica, disse também José Sócrates no encerramento da conferência.
O primeiro ministro não poupou elogios a Moçambique, nomeadamente a consolidação da democracia e o desenvolvimento e garantiu que Portugal acompanha esse “desenvolvimento político” e “orgulha-se dele”.
No âmbito da visita, recordou, foi duplicada uma linha de crédito que existia de 200 milhões de euros, foi criada outra de 200 milhões, foi assinado um acordo de mais 90 milhões (relacionado com Cabora Bassa) e criado um banco com capitais dos dois países.
“Tudo somado significa que empresários portugueses e moçambicanos têm agora ao dispor mais de mil milhões de euros para financiar projectos. É isto que eu chamo um trabalho bem feito”, disse José Sócrates.
Armando Guebuza, Presidente de Moçambique, respondeu salientando a “profunda amizade” entre os dois países e afirmando que juntos podem gerar recursos energéticos para a região da África Austral e “para o mundo inteiro”.
“Acreditamos que é uma parceria mesmo para valer, para continuar e para melhorar”, disse Armando Guebuza.
O Presidente encerrou a conferência sobre energias alternativas e falou depois de José Sócrates, que no início do seu discurso não resistiu a uma piada com segundas intenções e muito aplaudida na sala.
Ao dirigir-se ao púlpito, e perante grande quantidade de microfones dos órgãos de comunicação social ali colocados, afirmou: “a minha primeira tarefa é tentar não deitar abaixo nenhum órgão de comunicação social”.
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