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O feriado que Portugal dedica à Padroeira
04-Dez-2017
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A Igreja celebra na próxima sexta-feira a Imaculada Conceição de Maria Santíssima, comemoração solene tão querida do Povo cristão. É uma festa que se situa no início do ano litúrgico, no Tempo do Advento, iluminando o caminho da Igreja rumo ao Natal do Senhor. A solenidade tem como fundo o ícone bíblico da Anunciação, na qual ecoa a saudação do Anjo a Maria.

  Escolhido pelos portugueses, este dia 8 de Dezembro foi durante muitos anos, antes da Igreja globalizar as datas das celebrações, o Dia da Mãe em Portugal.

  Portugal tem, aliás, uma grande devoção a Nossa Senhora da Conceição, proclamada Padroeira da Nação Portuguesa em 1646 pelo Rei D. João IV, o monarca da Restauração da Independência do País e que deu também início à Dinastia de Bragança. A proclamação foi feita nas Cortes realizadas nesse ano em Lisboa e a medida oficializada por provisão régia de 25 de Março do mesmo ano.

  Numa das cerimónias de maior significado da História de Portugal, D. João IV deslocou-se depois dessa proclamação das Cortes a Vila Viçosa e, perante a imagem de Nossa Senhora da Conceição - oferecendo Portugal à Mãe Imaculada de Jesus - depôs a coroa real aos pés da Rainha do Céu declarando que, de então em diante, seria também a Rainha de Portugal. Depois desse grande momento, os reis seus sucessores nunca mais pu-seram sobre a cabeça a coroa real portuguesa.

  E Aquela que era somente Padroeira de Vila Viçosa passou a ser também Padroeira de Portugal.

  E porquê em Vila Viçosa?

  Antes de ser chamado a liderar o Movimento da Restauração, o Duque de Bragança vivia afastado da vida política de Lisboa e residia em Vila Viçosa, cuja igreja tinha Nossa Senhora da Conceição por orago. Ao fim de seis anos de reinado da recuperada independência, o monarca atribuíu à protecção da Senhora da sua devoção o facto das operações militares espanholas de represália contra Portugal não terem assumido grande significado, conforme referi no meu Editorial da semana passada.

  Aliás, D. João IV tornou permanente uma devoção a que outros reis seus antecessores se acolheram algumas vezes em momentos críticos para o País.

  D. João I, que mandou construir o Mosteiro da Batalha em honra de Nossa Senhora, tinha por hábito colocar nas portas da capital uma inscrição louvando a Virgem. O seu esforçado companheiro D. Nuno Álvares Pereira levantou a Santa Maria o Convento do Carmo em Lisboa, refúgio de  Marcelo Caetano no 25 de Abril.

  Com a mesma devoção de D. João IV à Padroeira do Reino continuou D. Pedro II, que em 1694 criou a Confraria de Nossa Senhora da Conceição na Igreja de Vila Viçosa. Mais tarde, D. João V, por carta régia de 12 de Novembro de 1717, mandou celebrar a mesma festividade com toda a pompa. Igualmente devoto da Senhora da Concepção, D. Pedro III engrandeceu a real Capela da Conceição no Palácio da Bemposta, que tinha sido construída pela rainha D. Catarina de Bragança, quando se recolheu a Portugal depois de ter sido rainha da Inglaterra. Em 1751, a rainha D. Maria I filiou-se na Confraria de Nossa Senhora da Conceição, o mesmo tendo feito o rei D. João VI, então ainda príncipe, no ano de 1769.

  Tendo como muito frequentes os conhecidos benefícios que a Nação Portuguesa sempre tinha recebido do patrocínio da Santíssima Virgem da Conceição em todas as épocas arriscadas da governação - nomeadamente o sucesso sobre as invasões francesas, as quais tinham obrigado à deslocação da família real para o Brasil - D. João VI criou no dia da sua coroação, por decreto datado do Rio de Janeiro de 6 de Fevereiro de 1818, a nova Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Pretendeu o rei, grão-mestre desta nova ordem militar leiga, assinalar a sua subida ao trono e homenagear a Padroeira Nacional, agradecendo-lhe a resistência popular e militar que permitiu ao País sobreviver às invasões napoleónicas.

  Por alvará de 10 de Setembro de 1819, foi fixada a constituição da Ordem.  Com esta Ordem foram distinguidas várias personalidades, essencialmente oriundas da nobreza e da aristrocracia.

  Depois da implantação da República em Portugal, em 1910, tanto o rei D. Manuel II, no exílio, como os Duques de Bragança que lhe sucederam continuaram a utilizar as insígnias desta Ordem.

  Reabilitada em 1983 pelo Duque de Bragança, desde então e na sua nova veste de ordem dinástica honorífica da Família Real Portuguesa, têm vindo a ser distinguidas em Vila Viçosa várias personalidades na Festa anual de 8 de Dezembro.

  Existe uma relação importante entre esta Ordem portuguesa e a África do Sul. A primeira figura sul-africana a ser distinguida foi o antigo presidente Stephanus Johannes Paulus Kruger, condecorado em Lisboa pelo Rei D. Carlos I, em 1904, com a Grã-Cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, quando aquele estadista sul-africano passou pela capital portuguesa a caminho do exílio na Suiça, onde viria a falecer.

  A segunda personalidade sul-africana foi o rei zulu Goodwill Zwelethini, agraciado em Vila Viçosa pelo actual Duque de Bragança, D. Duarte Pio, em 1991 Na mesma cerimónia foram também distinguidos com a Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa os dois portugueses residentes na África do Sul - José Mateus de Castro e Rogério Varela Afonso - que promoveram o estabelecimento de relações de amizade e cooperação entre as Casas Reais de Portugal e da Zululândia.

  Diz-se, relativamente aos povos, que só têm futuro aqueles que possuem um passado provado e hoje, num quadro de permanentes dificuldades, os portugueses continuam a revelar uma surpreendente capacidade de encontrarem respostas solidárias.

  Portugal, que tanto passado e tanta história tem e que continua a respeitar com feriado nacional o Dia da sua Padroeira, é um país que só pode ter futuro, venham as crises que vierem.

  A nossa Fé na Padroeira dá-nos Esperança.

R. VARELA AFONSO

 

 

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