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Dez habitações de empresário português no centro da cidade de Germiston ocupadas ilegalmente
09-Out-2017
comunidades

Mais de uma centena de indivíduos tomaram posse ilegalmente, na madrugada de terça-feira, de 10 habitações que se encontravam desocupadas no centro de Germiston, cida-de satélite a Joanesburgo.

 Segundo os seguranças dos prédios, tudo começou quando uma multidão de pessoas, entre as quais crianças e adultos embriagados, irrompeu violentamente pelos edifícios adentro forçando a sua entrada e ocupação imediata.

 A ocupação terá começado progressivamente durante a noite e, inicialmente, a segurança dos edifícios ainda tentou bloquear os portões de acesso, mas viria a desistir face à ameaça dos invasores ao intensificarem as suas intenções e que acabaram por ocupar os dois edifícios ao final da tarde, noticiou em manchete de primeira página o diário de Joanesburgo, The Star, na sua edição de quinta-feira, referindo-se a um fenómeno recente de ocupações ilegais a acontecer na província de Gauteng.

 As habitações ocupadas ilegalmente em Germiston, pertencem a um português de nome José Manuel Monteiro e entre os espaços invadidos contam-se 10 apartamentos assim como algumas residências cujo número não é co-nhecido, ambos localizados na Selkirk Street e na Kinross Street.

 O gestor imobiliário de Manuel Monteiro terá sido alvejado durante os confrontos de terça-feira e foi encontrado no seu automóvel, com um tiro numa perna, estacionado à entrada dos escritórios da empresa na Victoria Street.

 O porta-voz da Polícia de Germiston, Manaka George Rathulu, confirmou a ocorrência e disse que a Polícia encontrou o homem, a sangrar, dentro do carro e teve que chamar uma ambulância para o socorrer.

 O português José Manuel Monteiro vive no estrangeiro e é proprietário de mais de 30 fogos no centro da cidade de Germiston, através de uma empresa local, de nome 42 Power Street Properties, que segundo o jornal, comprou os edifícios no início da década de 1990, na altura avaliados em 996 mil randes.

 De acordo com o jornal, os ocupantes ilegais justificaram a invasão das habitações privadas dizendo que “os edifícios estavam abandonados porque o dono não pagou uma dívida de 60 milhões de randes em serviços municipais” à Câmara Municipal de Ekurhuleni (Germiston).

 Boitumelo Seitlhamo, que segundo o jornal é líder do grupo de ocupantes, conta que “o grupo começou por alugar as habitações a Monteiro a quem pagavam directamente as suas rendas”, mas revindica que, sem qualquer decisão judicial, “há três anos fomos instruídos pela municipalidade de Ekurhuleni a pa-gar as rendas directamente à Câmara porque Monteiro tinha uma enorme dívida municipal que era preciso saldar”.

 Seitlhamo admite que “a maioria das pessoas ocupou várias habitações de Manuel Monteiro e que já por várias vezes solicitaram a intervenção da Câmara Municipal na resolução da situação, mas sem qualquer sucesso”.

 Um porta-voz da Ekurhuleni Metro, Themba Gadebe, citado pelo jornal, disse que “a autarquia não tem conhecimento deste caso embora esteja a investigar ocupações ilegais de edifícios”.

 Aquele porta-voz não confirmou, no entanto, se José Manuel Monteiro deve “60 milhões” à municipalidade por falta de pagamento de serviços municipais e se a alegação avançada pelos ocupantes para justificar a invasão das habitações tem a bênção daquela municipalidade.

 Aparentemente, os responsáveis pelas ocupações ilegais de terça-feira em Germis-ton, são conhecidos na área por outras acções idênticas realizadas a sul do centro da-quela cidade.

 Celeste Botha, gestora do portfólio imobiliário de Manuel Monteiro, citada pelo jornal, afirma por seu lado que “conhecemos quem é a líder deste sindicato e no ano passado até obtivemos uma ordem de despejo do tribunal contra ela e os outros”.

 De acordo com Celeste Botha a alegada cabeça da quadrilha “está a receber o pagamento de rendas de inquilinos que ela coloca ilegalmente nas habitações”, acrescentando que “a invasão começou por volta das 4 horas da madrugada”.

 “Apercebemo-nos que se tratava das mesmas pessoas que já haviam sido despejadas de outras habitações. Quando a Polícia chegou ao local, tentaram acalmar a situação, mas nem isso foram capazes de o fazer e de impor a autoridade”, afirmou.

 “A Polícia virou-se depois para nós e instruiu-nos a deixar entrar os ocupantes ilegais para as nossas casas e a solicitar ao tribunal ma ordem de udespejo para os retirar de lá. Alguém consegue explicar-me como é que isto é possível?”, afirmou.

 “Como é que os agentes da lei e ordem podem permitir que pessoas que não têm o mínimo respeito pela lei ou pelos tribunais podem fazer o que bem lhes apetece?”, questionou Botha.

 Todavia, o jornal avança que Boitumelo Seitlhamo garantiu “estar mandada pela Câmara Municipal a não pagar as rendas de aluguer das casas directamente a Manuel Monteiro”.

 Embora não tenha publicado uma cópia do documento, o jornal escreve que “Boitumelo Seitlhamo mostrou uma carta assinada pelo responsável pelo controlo de crédito da municipalidade, MD Nkosi, em que diz que nos termos da Lei das Taxas de Propriedade Municipal, ela não deverá pagar a renda ao dono da propriedade por forma a que (ele) possa reaver a dívida de Manuel Monteiro à autarquia”.

 A cidade de Germiston, onde se se situa a fábrica nacional da moeda, foi até 1994, o principal centro da industrial têxtil da Africa do Sul e local preferido da comunidade portuguesa radicada na área de Joanesburgo.

 A província de Gauteng tem sido alvo de uma onda de ataques criminosos no sector da habitação com várias ocupações ilegais registadas na baixa de Joanesburgo e mais recentemente em vários bairros, nomeadamente em Windsor East, Doorfontein, Bassonia e Rosetenville.

 

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